Nova sede da ArcelorMittal, em Luxemburgo. Com conclusão prevista para 2021, o edifício procurou utilizar soluções construtivas que contribuam com a sustentabilidade. Um dos exemplos é o uso de aço reutilizado, cujo consumo ser entre 5.000 e 7.000 toneladas de aço.

Reduzir custos e impactos ambientais na construção civil: essa é a visão de negócios que a multinacional siderúrgica e de mineração ArcelorMittal está lançando por meio do Steligence – um trocadilho com “Steel” e “Intelligence”.

O Steligence possibilita uma avaliação precisa e apurada de todas as etapas construtivas, desde a fundação até a fachada. São realizados comparativos com os métodos construtivos existentes no mercado com as soluções “Best-in-Class” da ArcelorMittal, indicando-se os mais adequados para cada situação.

Nesta avaliação, além da avaliação das melhores soluções de execução, são considerados aspectos térmicos, ambientais, energéticos, etc.

A abordagem é realizada de forma “holística” e integrada entre arquitetos, engenheiros e as demais disciplinas envolvidas nas fases de execução e design de projetos de edificações, para que demandas do planejamento e da execução, que geralmente ocorrem separadamente, sejam entendidas dentro de uma mesma ótica.

Para avaliar esse ciclo de vida do empreendimento, foram desenvolvidos critérios a partir de três perspectivas principais:

  • Social: são considerados critérios de segurança e o bem-estar humano durante a construção e o uso da edificação;
  • Econômica: avaliados aspectos relacionados a custos de construção e operação, velocidade e qualidade da construção;
  • Ambiental: são priorizadas questões como consumo de recursos naturais, eficiência energética, emissões nocivas e potenciais de reutilização e reciclagem.
“Precisamos ter uma visão holística e explorar os materiais com novos olhos, criando um edifício de peças complementares e otimizando a interação entre todos os componentes”. – Olivier Vassart, CEO do Steligence.

Custo-benefício como valor de negócio

Steligence é parte da estratégia da empresa para desempenhar um novo papel: mais do que um fornecedor de insumo da construção, passa a ter um papel mais ativo e atuação como consultora em projetos de construção.

O objetivo é ambicioso: se tornar a solução líder para todas as partes envolvidas no processo de obras por meio da criação de uma plataforma que pode ser facilmente integrada a qualquer projeto do setor desde o seu início: “Queremos impulsionar a agenda da construção civil com o uso e a aplicação mais inteligentes de aço em edifícios, quebrar conceitos errôneos comuns e demonstrar aos arquitetos, engenheiros e desenvolvedores que o aço pode ser a melhor solução”, explica Olivier Vassart, CEO do Steligence.

Para tanto, a nova metodologia de construção foi desenvolvida ao longo de dois anos pela ArcelorMittal, por meio do investimento em pesquisas que permitiram grandes avanços tecnológicos e tornaram o aço um material ainda mais atraente para o setor de construção.

Vale destacar que, para explorar todo o potencial e benefícios do Steligence, é fundamental que tenha uma colaboração mais ampla e transparente entre os atores envolvidos nas fases de projeto e execução de obras. Com isso, é possível obter ganhos de criatividade, flexibilidade, sustentabilidade e economia.

Edifícios (des)montáveis, fundações mais leves

Os edifícios projetados com o uso do Steligence serão mais fáceis de montar (e também desmontar) e, portanto, mais rápidos de construir, propiciando eficiências significativas e economia de custos para o setor de construção.

“Nossa pesquisa mostrou que um edifício de 10 andares usando o Steligence pode ser construído duas vezes mais rápido, resultando em economia de custos de construção de até 24%, se comparado com o mesmo edifício onde os componentes principais são de concreto”, reforça Vassart.

Avaliando o aspecto financeiro, uma construção mais rápida também significa que os edifícios podem operar mais cedo, proporcionando assim um retorno mais rápido do investimento (receita de aluguel) para desenvolvedores e investidores.

Sempre pensando em inovação, foi desenvolvida uma solução com o uso de vigas e pisos de aço que permite que os novos edifícios sejam mais baixos que as torres convencionais, mas tenham o mesmo espaço no interior. Isso resulta em uma economia média de 11%, pois um método de construção mais baixo requer, por exemplo, menos fachadas ou escadas. O grupo siderúrgico também está convencido de que as fundações de aço mais leves, que pesam menos da metade do peso de outras fundações, têm uma economia média de 39%.

No nível financeiro, uma construção mais rápida também significa que os edifícios podem operar mais cedo, proporcionando assim um retorno mais rápido do investimento (receita de aluguel) para desenvolvedores e investidores.

Aço verde: a construção de um setor sustentável

Outra vantagem associada ao uso do Steligence é o uso de componentes de aço modulares, que permite a reutilização desse material em vez da reciclagem de componentes de aço em novos edifícios, no final da vida útil do edifício original. Essa possibilidade de “reutilização” oferece ao aço uma enorme vantagem sobre os materiais de construção, especialmente à medida que as legislações “verdes” se fortalecem com relação às credenciais de sustentabilidade dos edifícios, afirma Greg Ludkovsky, chefe global de pesquisa e desenvolvimento da ArcelorMittal.

Segundo o executivo, a construção civil é responsável por 40% a 45% das emissões de gases no mundo, por isso, é necessário que os atores da cadeia avaliem com propriedade a questão do meio ambiente na hora de conceber um novo empreendimento: “Usando o Steligence podemos reduzir o impacto ambiental em 15% a 20%. Temos tecnologia para isso”. Ludkovsky acrescenta que a empresa “adotou uma nova abordagem radical da construção, sustentada por uma filosofia clara: construir um negócio sustentável em torno de uma indústria da construção sustentável que atenda às gerações futuras”.

“À medida que a escassez de clima, energia e recursos se intensifica, soluções ganha-ganha, como o Steligence, se tornam imperativas para os negócios e a sociedade em geral. Grande parte de todas as nossas vidas, portanto, dependem de criarmos um conceito de construção que melhore seu impacto social, econômico e ambiental, e aprimore dramaticamente suas funcionalidades estéticas” – Greg Ludkovsky, chefe global de pesquisa e desenvolvimento da ArcelorMittal.

Uma nova abordagem para o mercado brasileiro

O Brasil foi a segunda operação da ArcelorMittal a oferecer o Steligence: de janeiro a junho de 2019, 8 milhões de metros quadrados já foram construídos no mundo por meio da metodologia.

De acordo com o vice-presidente comercial da empresa para aços longos, Henrique Morais de Almeida, a companhia testou a receptividade da solução no país em 2018, quando foram construídas 12 passarelas em rodovias nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo: “Nesses projetos conseguimos reduzir o tempo da obra em cerca de uma semana. Além disso, o custo da obra foi 20% menor”, ressaltou Almeida.

Segundo o executivo: “Faz todo sentido a nova metodologia e, por isso, acreditamos que a divisão tem potencial grande de crescimento. Mas, é uma fase de transição. Ainda teremos a distribuição, o varejo”, completa.

Para Greg Ludkovsky o volume de consultas para novos projetos tem aumentado: “Falamos a mesma língua dos engenheiros. Não vendemos somente o aço, vendemos um serviço customizado para cada projeto”.

No Brasil, a construção civil é o setor que mais consome aço, sendo responsável por 34,1% do consumo aparente (vendas internas, importação de aço mais o aço contido em produtos importados). O segundo lugar fica com a indústria automotiva, com 22,1%. E em terceiro, bens de capital, com 20,9%.

Uma solução para cada tipo de empreendimento

Aeroporto de Schiphol em Amsterdã, Holanda, projetado por meio da abordagem Steligence.

De acordo com a ArcelorMittal, o portfólio de produtos Steligence inclui aços inovadores, como por exemplo o Histar, caracterizado por sua maior resistência, proporcionando redução de peso e de custos da obra.

Classes de aço de alta resistência já são usadas como padrão em arranha-céus no Reino Unido.

O Cofraplus 220, por sua vez, é um piso colaborante em concreto e aço, podendo ser utilizado tanto em escritórios como em estacionamento.

A solução Angelina é descrita como “uma nova geração de vigas casteladas para estruturas sustentáveis”. Essas vigas são leves, vence grandes vãos e permite explorar o design e a arquitetura tanto dos elmentos estruturais como dos amplos espaços sem colunas.

Para soluções de fachada, o Granite Silky Shine está entre as várias possibilidades oferecidas pela Steligence. É um aço pré-pintado revestido com uma camada de alto brilho com maior resistência a arranhões. O seu efeito estético não se perde ao longo do tempo, pois é resistente aos raios UV, a diversos produtos químicos e agentes de limpeza.


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