Largamente empregados no setor da construção civil, os aditivos e adições são produtos químicos adicionados ao cimento, à argamassa ou ao concreto, para modificar uma ou mais propriedades das misturas cimentícias.

Embora ambos compostos tenham a mesma função, restam dúvidas, no meio técnico, sobre a diferenciação precisa entre esses materiais. Por isso, o Blog da ConstruLiga preparou um artigo especial, para destacar quais são as principais diferenças entre os dois compostos e os tipos desses produtos disponíveis no mercado. Confira!

Existe diferença?

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As principais diferenças entre aditivos e adições estão em sua origem e em suas propriedades. Enquanto os aditivos são produtos químicos adicionados em pequenas quantidades aos concretos de cimento Portland e que não apresentam propriedades ligantes, que modificam a cinética de hidratação do cimento, as adições, são compostos de origem mineral, utilizadas geralmente em quantidades maiores, para substituir parte do cimento e para a obtenção de concretos com certas características especiais.

Embora nos Estados Unidos não haja uma diferença de nomenclatura entre ambas as soluções, no Brasil é comum dizer que adições conferem ao concreto, propriedades que ele originalmente não tinha, enquanto os aditivos potencializam ou enfraquecem uma característica previamente encontrada no concreto.

Tipos de aditivos

 

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Basicamente há três tipos ou classes de aditivos – plastificantes, agentes de fluidificação e superplastificantes – que se dividem da seguinte forma:

Aditivos plastificantes: reduzem em, no mínimo, 6% a quantidade necessária de água de amassamento na mistura do concreto, aumentando a trabalhabilidade, o abatimento e a fluidez para determinada resistência com menor consumo de cimento.

Aditivos superplastificantes tipo I (convencional): com esse tipo de aditivo é possível dosar concretos de alto desempenho (CAD) com resistências mais elevadas. A redução de consumo da água de amassamento é de, no mínimo, 12%. Como consequência, o fator água-cimento é reduzido entre 20% e 25%.

Aditivos superplastificantes tipo II: os superplastificantes tipo II são eficientes redutores de água e são utilizados na obtenção de concretos autoadensáveis. Também permitem elaborar concretos com baixíssimo teor de água, reduzindo seu consumo em mais de 30%, com aumento de sua resistência.

Aditivos incorporadores de ar (IA): promovem a incorporação controlada de pequenas bolhas de ar no concreto, com o objetivo de melhorar a sua trabalhabilidade e a sua durabilidade e diminuir a sua permeabilidade e a sua segregação.

Aditivos aceleradores de pega (AP): diminuem o tempo de transição do estado plástico para o estado endurecido do concreto e elevam a resistência inicial e final. É indicado para tamponamentos e para concretos projetados, pois reduzem o tempo de desenforma e permitem que o concreto resista às pressões hidrostáticas, evitando o carreamento da pasta de cimento por água corrente. É preciso atentar à forma correta de utilização e dosagem do produto, pois há o risco de fissuração devido ao calor de hidratação.

Aditivos aceleradores de resistência (AR): aumentam a resistência do concreto e permitem redução no conteúdo de cimento em proporção à redução da quantidade de água. O aditivo aumenta a taxa de desenvolvimento das resistências iniciais do concreto, com ou sem modificação do tempo de pega e sem alterar negativamente as resistências finais. Ele acelera o endurecimento e a cristalização do cimento de modo rápido, permitindo o tamponamento instantâneo. É amplamente utilizado em concretagem em presença de água, por exemplo.

Aditivos retardadores de pega (RP): aumentam o tempo de início de pega do concreto, mantendo a trabalhabilidade a temperaturas elevadas e retardando a elevação do calor de hidratação, evitando a ocorrência de fissuras. Em comparação a um concreto padrão, há aumento das resistências mecânicas e menor permeabilidade. Permitem um maior tempo de manuseio do concreto e evitam o efeito acelerador das temperaturas elevadas. Após a pega, no entanto, não interferem no processo de endurecimento do cimento. Seu uso é recomendado para concretos de obras e estruturas distantes dos locais de lançamento e permitem a concretagem de peças de difícil acesso e vibração. Além disso, os retardadores de pega possibilitam interrupções nas concretagens sucessivas, evitando juntas frias.

 

Tipos de adições

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Há diversos tipos de adições no mercado, que se diferenciam de acordo com as características da solução e da dosagem utilizada.

Metacaulim: adição empregada para obtenção de estruturas e peças mais duráveis, com melhoria do desempenho mecânico, da impermeabilidade a líquidos e gases, da diminuição da retração e expansão e na prevenção de manifestações patológicas. O material também proporciona melhoria do acabamento superficial, redução de eflorescências e de fissuras de origem térmica, características importantes para pisos, pavimentos e pré-moldados de concreto. Além disso, essa pozolana pode ser considerada muito atrativa, em função de sua cor clara, quando se utiliza o concreto com fins arquitetônicos. Essa adição é muito utilizada em estruturas de drenagem oleosas e em elementos de concreto que necessitam de maior estanqueidade.

Sílica Ativa: adição proveniente do processo de fabricação do silício metálico ou ferro sílicio. Por ser um produto de origem metalúrgica, possui grande estabilidade quanto a sua composição química e física e altíssima reatividade com os produtos decorrentes da hidratação do cimento. Misturada ao concreto, a sílica ativa proporciona redução da permeabilidade, melhoria do desempenho mecânico e melhoria das condições de reforço de proteção contra corrosão, ou seja, apresenta bom desempenho aumentando a sua resistência e sua durabilidade e agindo, também, na prevenção de manifestações patológicas. A sílica ativa, assim como o metacaulim, é utilizada em estruturas de drenagem oleosas e em elementos de concreto que necessitam ter bastante estanqueidade.

Cinza volante: melhora a trabalhabilidade e a coesão, diminuindo a exsudação e a segregação, facilitando a operação de transporte, lançamento e o acabamento, pois ocorre o retardamento do tempo de pega, baixo calor de hidratação; redução da permeabilidade e aumento da durabilidade.

Cinza de casca de arroz: Possui comportamento similar ou até melhor que a sílica ativa. Por isso, alguns pesquisadores a consideram como uma ‘superpozolana’, quando obtida por meio de queima controlada.

Filler calcário: Devido às suas propriedades físicas, tem um efeito benéfico sobre as propriedades do concreto convencional, tais como: trabalhabilidade, densidade, exsudação, permeabilidade, capilaridade. É quimicamente inerte – não possui atividade pozolânicas.

Cal hidratada: Tem por finalidade repor parcialmente ou totalmente, as reservas de hidróxido de cálcio para as reações pozolânicas e, ainda, restabelecer a reserva alcalina do concreto, a qual sofre decréscimo variável dependendo da reatividade e teor de cada adição. A adição de cal hidratada diminui a porosidade total, com a formação de uma estrutura mais densa e acelera a taxa de hidratação do cimento.