Ao contrário do pensamento analítico, associado à "quebra" de ideias, o Design Thinking é um processo criativo baseado na "construção" de ideias

Um amigo me fez algumas perguntas sobre Design Thinking e como ele poderia obter mais informações sobre essa importante metodologia. Este foi o ponto de partida para me motivar a analisar alguns textos relevantes sobre o tema para redigir esse artigo compacto, explorando o material estudado, com o cuidado para que não houvesse perda de conteúdo.

O Design Thinking é uma metodologia de design útil para resolver problemas complexos (“perversos”), mal definidos ou até mesmo desconhecidos, procurando obter, ao longo do processo, insights que podem revelar maneiras novas e inexploradas de enxergar os problemas e de desenvolver as suas soluções. Uma forma simples e eficaz de implementarmos a metodologia de Desing Thinking obedece às cinco etapas propostas por Rikke Dam e Teo Sian. Mesmo sendo mais sintético, este modelo atende todos os passos e requisitos de outros subdivididos em mais etapas e atividades e mais detalhados.

Fatores Críticos de Sucesso

São fatores críticos de sucesso para a metodologia:

  • Entender os requisitos e todas necessidades envolvidas
  • Compreender o problema com foco no ser humano, sobretudo na visão do usuário do produto
  • Desenvolver o trabalho em equipe multidisciplinar e de forma colaborativa, para alavancar explorar as diferentes habilidades e estilos de pensamento de cada um dos componentes
  • Incentivar a criatividade e apresentar o máximo possível de ideias em reuniões de brainstorming
  • Adotar uma abordagem pragmática, utilizando protótipos e testes
  • Não perder a perspectiva e a sensibilidade em relação à viabilidade econômico-financeira das soluções, antes de gastar tempo e recursos com elas

Etapas do Processo de Design Thinking

Empatia

Na primeira etapa é preciso obter a compreensão, além de uma definição clara e abrangente do problema a ser resolvido. Para isso poderá ser necessário o uso de especialistas ou de uma consultoria específica para permitir um aprofundamento no problema, dentro do ambiente físico e do contexto do mesmo, identificando as principais preocupações dos usuários. Também é necessário explorar a observação e a empatia, entendendo as experiências pessoais e as motivações das pessoas envolvidas. O processo de Design Thinking precisa ser centrado no ser humano. Os responsáveis pelo design deverão se despir de suas opiniões e suposições para se concentrar na obtenção de informações dos usuários sobre as suas expectativas e necessidades.

Definição dos Problemas

Durante esta etapa precisamos reunir e organizar todas as informações obtidas durante a etapa anterior. Através da observação e análise minuciosa dessas informações devemos definir clara e sucintamente os principais problemas identificados, através de uma declaração e definição dos problemas. Esta definição dos problemas precisa ser feita segundo a ótica dos usuários e não na perspectiva das necessidades da empresa e de seus executivos e designers. Esta etapa ajudará os responsáveis pelo design na reformulação do problema ou desafio percebido, obtendo perspectivas que permitem uma visão mais holística. Esta etapa também é útil para a organização das melhores ideias, definindo recursos, funções e demais condições necessárias à resolução dos problemas, avançando para a terceira etapa.

Idealização

Durante a terceira etapa do processo de Design Thinking, os designers estão prontos para começar a gerar ideias. Neste momento já entendemos as necessidades dos usuários na etapa de Empatia, bem como analisamos e sumarizamos as suas observações na etapa de Definição dos Problemas, culminando com uma declaração e definição dos problemas, na perspectiva do usuário. Com esse histórico podemos começar a “pensar fora da caixa” para identificarmos novas soluções para a declaração e definição dos problemas, procurando maneiras alternativas de visualizá-los. Existem várias técnicas de Idealização. As sessões de brainstorm são usadas para estimular o pensamento livre e as divergências para expandir o espaço do problema, adiando o julgamento e criando um espaço para permitir o afloramento do maior número possível de ideias e pontos de vista. Certamente poderemos escolher outras técnicas, além do braimstorm, para nos ajudar na investigação e teste de ideias com o propósito de encontrarmos a melhor maneira de resolver um determinado problema ou ao menos fornecer os elementos necessários para isso.

Protótipo

Nesta etapa a equipe de design produzirá os protótipos do produto ou de partes relevantes do mesmo, geralmente em escala reduzida. Isso é importante para testar as soluções para os problemas que foram gerados na etapa de Idealização. Os protótipos podem ser testados pela própria equipe de design, bem como em outras áreas da empresa ou por um pequeno grupo de pessoas externas. O objetivo é definirmos a melhor solução possível para cada um dos problemas identificados durante as três primeiras etapas do Design Thinking. As soluções implementadas nos protótipos são então avaliadas, rejeitadas, melhoradas, revisadas ou aprovadas, com base no resultado da experiência dos usuários. No final desta etapa, a equipe de design terá uma ideia melhor das restrições ao produto e dos problemas existentes, de acordo com a perspectiva de como os usuários se comportariam, pensariam e sentiriam interagindo com o produto final.

Teste

Nesta etapa os designers ou especialistas e laboratórios contratados testam o desempenho produto final, de forma ampla e completa, após implementadas as melhores soluções identificadas durante a fase de prototipagem. Apesar de ser a etapa final, os resultados gerados durante a fase de teste ainda podem ser utilizados para ajustes e implementação de melhorias no produto.

Comentários e Conclusões

Se for necessário poderemos repetir as várias etapas, revisitando o conteúdo já explorado. Devemos então redefinir o desafio, na medida em que novos conhecimentos e insights são adquiridos, até chegarmos a uma solução adequada, eficaz e viável.

Ao contrário do pensamento analítico, associado à “quebra” de ideias, o Design Thinking é um processo criativo baseado na “construção” de ideias. Os designers não fazem qualquer julgamento inicial sobre a qualidade das ideias. Isso minimiza o medo dos participantes se exporem e maximiza a quantidade de ideias nas fases de Idealização (brainstorming) e Protótipo. O pensamento criativo é incentivado nos estágios preliminares do processo, o que conduz a soluções que não surgiriam através de outras metodologias.

A compreensão desses cinco estágios do Design Thinking permite que qualquer profissional aplique os métodos do Design Thinking para resolver problemas complexos que ocorrem na rotina das empresas.

O artigo de Gerd Waloszek (2012) “Introduction to Design Thinking” apresenta informações relevantes e abrangentes para quem quiser se aprofundar neste tema.