Dizia o velho guerreiro, Chacrinha, que quem não se comunica, se trumbica. Embora as novas gerações não conheçam Chacrinha nem usem o verbo trumbicar, a expressão famosa dos anos 80 do seu programa de auditório vale muito para o cenário da comunicação corporativa atual – mais até do que valeria nos anos 80.

Com a entrada das redes sociais na nossa vida e na vida dos nossos colaboradores e a velocidade do mundo online, corremos o risco de sempre darmos a notícia atrasada. Se antes, o perigo estava em deixar vazar a informação para a rádio peão, hoje o risco é deixar vazar a rádio peão para o mercado. E aí você não tem apenas um problema – que é o de controlar os rumores dos seus corredores e acalmar os ânimos internos – mas uma grave ameaça que pode arruinar o seu negócio. Afinal, uma informação truncada que caia na rede pode colocar em jogo a sobrevivência de uma companhia.

Como evitar, portanto, que sua empresa se trumbique? Falando a verdade, sempre, de forma clara, consistente e contínua. Apesar de parecer muito simples, não é fácil. E não é fácil porque por mais de um século nos acostumamos com o conceito de que informação é poder, o que nos permitia guardá-la a sete chaves no topo da organização. Mas isso é passado.

Vivemos hoje na era do compartilhamento de informação, o que torna as pessoas – especialmente as novas gerações – sedentas por notícias. O tempo todo. Elas esperam, portanto, que seus líderes abram o jogo, comuniquem e, especialmente, compartilhem as informações e decisões estratégicas tomadas. E em tempo real. Sim, porque se a queda de um avião, a mudança de time de um jogador de futebol ou a derrubada de um político são anunciadas no segundo em que acontecem, como esperar uma semana, um mês ou um semestre para comunicar seu time de uma mudança, uma novidade ou uma ameaça? Impossível.

Além da pontualidade na informação, é necessário também clareza e alinhamento para com a comunicação corporativa. Os porta vozes das notícias devem saber exatamente o que vão dizer ao seu time. E aqui percebemos falhas enormes no processo.

Na pressa ou no cansaço da reunião, essa parte fica meio “subentendida” e na hora da ação, as palavras podem ganhar ou perder força e, dependendo do que você precisa passar para frente, isso faz toda diferença. É quando perguntas ficam sem respostas ou ficam com respostas vagas, abrindo margem para burburinhos e especulações.

Comunicação na Construção

Percebemos que esse é um dos maiores desafios de empresas do setor de construção. Com times muitas vezes dispersos em diferentes sítios e estados fica complicado manter o alinhamento da informação – mais até do que a frequência. Conversar antes e conversar bem é o melhor caminho para chegar à comunicação alinhada.

Mas qual o melhor meio ou ferramenta para eu falar com o meu time? Sempre nos fazem essa pergunta quando a empresa percebe que precisa quebrar (literalmente) o silêncio. A resposta é: não importa o meio, mas a frequência, a linguagem e a certeza de que a mensagem chegou de forma certa às pessoas certas.

Hoje, percebemos mais empesas adeptas às redes sociais corporativas para poder fisgar a atenção de seu público acostumado a navegar na internet. Outras ainda se valem da intranet. E há até quem criou uma rádio e TV interna, como o Magazine Luiza, para que a mensagem atinja todos os funcionários espalhados em todo o país.

Não existe meio certou ou errado para passar a mensagem na comunicação corporativa. Existe meio adequado ao seu público – e por isso a linguagem usada é fundamental (uma linguagem rococó não vai atingir profissionais mais jovens, assim como uma linguagem mais formal não vai ser didática para profissionais com nível de escolaridade mais básico).

O importante é criar esse círculo de confiança em que todos falam e ouvem com atenção e respeito. Sem que ninguém especule, invente ou se trumbique.

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RUY SHIOZAWA Engenheiro de Produção e Mestre pela Escola Politécnica da USP Especializações no IMD (Suiça), Wharton (EUA), AOTS (Japão) e IESE (Espanha) Atualmente CEO do Great Place to Work Brasil Foi Diretor de Pré-Vendas e Relacionamento com Clientes na Telefônica Empresas Foi Vice-Presidente / Diretor / Executivo em diversas empresas, incluindo GVT (telefonia fixa), ATL (atual Claro, telefonia celular), Banco Popular do Brasil, Grupo VR (serviços financeiros), Diageo (consumo), Dow Química Responsável pela montagem e desenvolvimento de grandes equipes Foi membro do Conselho de Administração em empresa de internet Foi eleito Executivo de TI do Ano em 2002; recebeu 6 outros prêmios nacionais e internacionais Palestrante em inúmeros eventos no Brasil, Argentina e Inglaterra e colunista em diversas publicações em negócios, gestão e tecnologia Autor do livro “Qualidade no Atendimento e Tecnologia de Informação” pela Editora Atlas; co-autor de "Transformando a Cultura do Ambiente de Trabalho" pela Primavera Editorial e co-autor de “Temas Avançados em Qualidade de vida”, organizado por Alberto Ogata Specialties: Companies Start-Up; Project Management; New Business Development; Companies Evaluation; Business Strategy; IT Strategy & Governance; Systems Development & Implementation. DANIELA DINIZ Daniela é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e tem especialização em Recursos Humanos pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com mais de quinze anos de experiência na cobertura da área de Gestão de Pessoas, tem passagens pelas revistas Exame, Você S/A e Você RH. É também autora do livro Grandes Líderes de Pessoas – A trajetória dos líderes de Recursos Humanos mais influentes do Brasil e seu legado para as futuras gerações (Editora Benvirá). Desde 2016 é responsável pela área de Conteúdo e Eventos do Great Place to Work, atuando diretamente na criação e realização de eventos voltados aos principais líderes da organização e na produção de conteúdo sobre o mundo do trabalho.