Ricardo De Martin, A Gazeta. Quase 8 milhões de famílias brasileiras não têm acesso a moradia digna (IBGE); 15% da população do país não têm acesso à rede de água e 44% não é atendida por coleta de esgoto (indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento).

Esses dados alarmantes mostram que, infelizmente, ainda temos um longo caminho para percorrer – enquanto sociedade, poder público, iniciativa privada e organizações sociais, para termos um país com mais qualidade de vida e menos desigualdade social.

A mudança desse cenário não depende exclusivamente de um ator, seja ele da esfera pública ou da esfera privada, mas de cada um de nós.

Dentro desse contexto, gostaria de chamar a atenção para o setor de construção civil. Em 2019, o segmento registrou um saldo positivo de mais de 71 mil vagas com carteira assinada (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged).

Quando avaliamos o PIB do mesmo ano, os resultados também são positivos: a construção civil alcançou alta de 1,6% e foi responsável por 44% dos investimentos no país.

Esses números, que já foram melhores fora da crise, dão apenas um sinal da importância desse setor não só para o cenário de hoje, mas para o futuro da economia brasileira.

O déficit habitacional, que alcança milhares de brasileiros sem moradia digna, só corrobora para o potencial de crescimento da construção civil, que ainda envolve outra questão: comprar um imóvel sempre foi um bom negócio, mesmo durante as crises econômicas.

O setor continua funcionando como um porto seguro, não só de quem investe no mercado imobiliário, mas para milhares de famílias que sonham em ter um lar para chamar de seu.

Quando falamos nesse sonho da casa própria, que move tantos brasileiros, pensamos logo em segurança, dignidade e acima de tudo “no melhor investimento” que uma pessoa pode fazer.

Comprar um imóvel é um momento especial e esperado por quem batalha e luta diariamente para deixar o aluguel para trás. É uma meta de muitos brasileiros que sonham conquistar a casa própria: uma moradia digna em que possam viver com qualidade e segurança com a sua família e deixar como herança para seus filhos.

Além disso, ter um imóvel é uma alternativa de investimento, tendo em vista que há a preservação do patrimônio (capital investido) e, em caso de venda, o valor é remunerado no mínimo pela inflação.

Mas não é apenas a construção civil que tem alto potencial de ajudar o Brasil a se desenvolver: é preciso ampliar linhas de fomento para a infraestrutura, para melhorar o saneamento básico e a oferta de transportes inteligentes e limpos (ferroviário, por exemplo).

A educação, mãe do desenvolvimento social, também merece todo o cuidado do país. Afinal, um povo com acesso à educação de qualidade pode avançar em todos os setores e reduzir a desigualdade social.

Vale ressaltar, ainda, a saúde como área de fundamental importância para a nação, e o SUS está aí dando provas de sua importância para o atendimento aos brasileiros, estejam eles onde estiverem.

A pandemia vai passar, a crise também. Precisamos, juntos, traçar as estratégias que vão contribuir para a retomada dos investimentos e dos empregos, com mais qualidade e oferta de serviços de saúde e educação para todos os brasileiros.