Aplicação dos Fatores de Trabalho (FT) conforme a Metodologia de Formação do Preço do SICRO.

Tipos de Solos:

Materiais de 1ª Categoria – Compreendem os materiais escaváveis com equipamentos comuns (scrapers tratores, escavadeiras, carregadeiras), qualquer que seja o teor de umidade. 

São caracterizados como solos em geral, residuais ou sedimentares, rochas em adiantado estado de decomposição ou intemperismo, seixos rolados, com diâmetro máximo inferior a 0,15 metros.

Materiais de 2ª Categoria – Compreendem os materiais mais resistentes ao desmonte e que não admitem a utilização de equipamentos sem a realização de tratamentos (pré-escarificação ou utilização descontínua de explosivos). 

São caracterizados por pedras soltas, blocos de rocha de volume inferior a 2 m³ e matacões de diâmetro médio compreendido entre 0,15 m e 1,00 metro.

Materiais de 3ª Categoria – Compreendem os materiais que admitem desmonte pelo emprego contínuo de explosivos ou de técnicas equivalentes de desmonte a frio. 

São caracterizados por materiais com resistência ao desmonte mecânico equivalente à rocha não alterada e por blocos de rocha com diâmetro médio superior a 1,00 m, ou de volume igual ou superior a 2m³

  • Fator de Conversão por Categoria de Solo Manipulado (FCV)

Fator de Conversão é volume do material em sua condição natural ou compactada sobre o volume deste mesmo material manipulado.

Serviços de Terraplenagem e de Pavimentação, o consiste na relação entre o volume do material em sua condição natural ou compactada e o volume deste mesmo material que está sendo manipulado (solto). 

Serviços de Escavação, Carga e Transporte, de forma coordenada ou isolada, consiste na relação entre o volume do corte (natural), definido como critério de medição e pagamento, e o volume do material transportado (solto). 

Nestas condições, o inverso do Fator de Conversão representa o Fator de Empolamento do material. 

Nos demais serviços, é utilizado para compatibilização das capacidades dos equipamentos e das unidades de medida dos serviços associados.

É utilizado, também, com objetivo de ajustar as capacidades nominais dos equipamentos, definidas em:

  • Unidades de volume 
  • Unidades de medida 
  • Critérios de pagamento dos serviços referenciais 

No caso, pode ser obtido a partir da relação entre os volumes, quais sejam: 

  • Volume medido ou pago, que obedece a um critério objetivo de medição, e o

Volume manipulado pelos equipamentos que dispõem de caçambas, reservatórios ou implementos equivalentes. 

As Tabelas Referenciais do SICRO, adotam as faixas recomendadas por tipo de material.

Fator de Conversão por Tipo de MaterialFator de Empolamento por Tipo de Material
1a Categoria:     FC =       1,0 / 1,30 = 0,77 2a Categoria:     FC =       1,0 / 1,39 = 0,72  3a Categoria:     FC =       1 / 1,75    = 0,571a Categoria:             FE = 10% 2a Categoria:             FE = 20% 3a Categoria:             FE = 30%
  • Fator de Carga por Tipo de Solo

É a capacidade efetiva do equipamento sobre a capacidade geométrica ou nominal do equipamento. 

Serviços de Terraplenagem, o consiste na relação entre o volume do corte (em estado confinado e definido como critério de medição e pagamento) e o volume do material transportado (em estado solto). 

Serviços de Escavação, Carga e Transporte, utilizando os caminhões basculantes, as aferições de campo indicaram a necessidade de ajustes nestes equipamentos.

As Tabelas Referenciais do SICRO, adotam as faixas recomendadas pelos fabricantes e expressam a menor ou maior dificuldade de carga.

Fator de Carga na TerraplenagemFator de Carga Caminhão Basculante
Solos Moles:      FC =      0,80 1a Categoria:     FC =       0,90 2a Categoria:     FC =       0,80  3a Categoria:     FC =       0,70Solos Moles:                    FC =     0,80 1a Categoria:             FC =   1 2a Categoria:             FC =   1 3a Categoria:             FC =   1
  • Fator de Interferência de Tráfego 

A aplicação deve ser feita em obras em cuja execução haja necessidade de interditar a pista ou de desenvolver medidas de segurança para prevenção de acidentes, tais como observado nas seguintes obras: 

  • Restauração rodoviária
  • Construção de terceira faixa
  • Melhoramentos e adequação de capacidade
  • Duplicação de rodovia, quando a nova pista for contígua à pista original
  • Conservação na pista

O Fator de Interferência de Tráfego a ser aplicado no orçamento de um determinado projeto pode ser estimado por meio do conhecimento de dois parâmetros: 

  1. Volume Médio Diário de Tráfego (VMD) 

O volume médio diário de tráfego consiste no registro médio da movimentação de veículos em uma determinada seção de uma rodovia no período de 1 dia (24 horas). 

Os resultados das contagens de tráfego nas rodovias federais foram consolidados em faixas em função do número de ocorrências, conforme apresentado em Tabelas do SICRO.

  • Proximidade dos Centros Urbanos 

A redução da produção mecânica de serviços em áreas urbanas pode ocorrer em função: 

  • Congestionamentos
  • Tráfego de pedestres
  • Bicicletas e motocicletas
  • Vandalismos e roubos
  • Restrições aos horários e locais de trabalho 
  • Interferências com as redes públicas de água, esgoto, energia e telefonia

Portanto, o Fator de Interferência de Tráfego – FIT será calculado pelo projetista a partir do volume médio diário de tráfego do local em que será executada a obra e da presença de centros urbanos, conforme gráfico e metodologia apresentadas no SICRO.

No próximo artigo (Parte VII) daremos continuidade ao tema, incluindo os ajustes e as considerações de inovação sobre a Operação e Manutenção de uma equipe de equipamentos, trabalhando isoladamente e em conjunto.