"A passagem das informações foi de pessoa a pessoa, tentando entender quais os riscos que cada um apresentava em função de comorbidades pessoais".

Francisco Graziano, sócio-diretor da Pasqua & Graziano, conta como a ação de informar seus os colaboradores a respeito da gestão do seguro de saúde foi uma medida acertada para tranquilizar sua equipe em um momento de pandemia. Confira a entrevista completa!

Qual é sua área de atuação na construção civil?

Nossa empresa é destinada à área de concepção estrutural e projeto de estruturas de concreto armado, protendido e pré-fabricados. Temos trabalhado em vários seguimentos, desde “Minha Casa Minha Vida” até edifícios residenciais de alto padrão. Também projetamos edifícios corporativos, shoppings e áreas de esporte.

Como foram as primeiras reações da sua empresa diante do surto de Covid-19?

Em um primeiro momento, lá por dezembro a janeiro, parecia uma ameaça bem longínqua. Diria que não tínhamos uma expectativa que esta epidemia chegasse até nós. Depois já em meados de fevereiro, começamos a modelar os dados que eram disponibilizados pelo o que acontecia na China e vimos que, se fôssemos contagiados, a ameaça seria muito grande pela velocidade de propagação do vírus e a demanda por internações. Montamos uma planilha com os dados de São Paulo de 25 de fevereiro até 6 de março e fiquei bem assustado com os prognósticos e começamos a desenhar os cenários possíveis de como seria entre nós e como nos organizaríamos.

Quais foram as primeiras medidas de contenção?

Já no início de março, implementamos as medidas sanitárias aconselhadas pelo Ministério da Saúde e pelo site do Johns Hopkins University, dizendo que todos deveriam se protegem com máscaras e álcool gel, além de higienizar muito bem as mãos. Além disto, com os dados de ambos pudemos melhorar nosso simulador e decidir que deveríamos parar as atividades presenciais no dia 19 de março, data em que passamos a operar em home office.

Como essas ações foram informadas para os colaboradores?

A passagem das informações foi de pessoa a pessoa, tentando entender quais os riscos que cada um apresentava em função de comorbidades pessoais. Além disso, fizemos uma gestão junto ao seguro de saúde dos colaboradores, para compreender como atuariam em termos de cobertura, uma vez que se tratava de uma epidemia tendendo a uma pandemia. Isto passou uma certa tranquilidade a todos, apesar dos altos riscos de colapso da saúde que as simulações apresentavam.

Estão conseguindo manter as atividades essenciais?

Estamos trabalhando praticamente no mesmo ritmo que estávamos, com o uso ferramentas para atividades remotas. O risco está em que se alastre um “lock-down” completo da indústria da construção e de outros segmentos, que levaria a um caos econômico e uma desaceleração completa das atividades.

Como a crise provocada pela pandemia pode afetar sua empresa no futuro?

Com certeza esta experiencia é inédita para a nossa geração, pois não passamos por grandes guerras e desastres sanitários como as gerações anteriores à minha. O que impacta é mais realismo no que importa para a manutenção da vida e das relações familiares. Com certeza tudo isto vai impactar nas empresas de alguma forma, em especial na maneira como gerir prazos e custos.

O quanto sua vida foi afetada nesse período de quarentena?

Afetou completamente. Não temos mais vida social ou familiar presencial. Intensificou-se o usos dos Apps de comunicação. Rotinas de esporte, de trabalho e de reuniões comerciais e familiares foram muito afetadas. Mas a fase mais dura está por vir. Temos que nos unir e ser dentro das nossa possibilidades aprender a sermos mais solidários com os demais.


O LIGA Blog está publicando entrevistas com diretores de grandes empresas brasileiras da construção para entender como estão as empresas do setor estão lidando com os desafios proporcionado pela pandemia de covid-19.