Escrever sobre liderança é trilhar caminhos de reflexões já muito explorados, exercidos, experimentados e de diversas formas apresentados, onde muitas vezes se busca passar a construção de um líder perfeito ou de um super-líder. Não que isso não seja positivo, que não se aprenda com preciosas dicas e experiências, no entanto sabemos que na verdade nem sempre é possível ser assim. Cada profissional tem e faz a sua realidade e a sua história, e cada empresa tem o seu momento e a sua cultura, outrossim até porque a própria arte de liderar também vem passando por profundas transformações, principalmente quando comparamos o chefe do passado com o líder de hoje. Diante de tudo isso, um dos caminhos mais condizentes para se adaptar da melhor forma a essa transformação e evolução da liderança é quando o líder aprende a tratar seus colaboradores como eles realmente são : “pessoas”.

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Recentemente assistindo ao quadro “Chefe Secreto” exibido pelo Fantástico, chamou-me atenção a resposta de um operador de máquinas de setenta e um anos, quando a diretora administrativa financeira dessa empresa, disfarçada de operária candidata, perguntou como era o relacionamento dele com a alta direção:  “Quando o chefão vem aqui, ele não pergunta da máquina ou da produção, ele me pergunta como é que eu estou“. Entretanto, outro programa que tive a oportunidade de assistir e que também me chamou atenção, porém de forma não positiva foi o “Hell’s Kitchen – Cozinha sob pressão” exibido às segundas-feiras à noite pelo SBT, principalmente devido aos constantes palavrões e tratamentos realizados pelo chef  líder do programa. Apesar do reality ter a conotação da pressão sobre a qualidade e o tempo, um bom líder não precisa disso para obter melhores resultados, mesmo nos momentos de extrema e alta pressão.E você, líder? Conhece realmente seus colaboradores? Você sabe o que os motiva? Você forma novos líderes? Você realmente sabe realizar feedback? Você escuta de fato seus liderados?  Você se comunica bem com seus liderados? Você, como líder, treina seus colaboradores? Você cria propósitos para que seus colaboradores “queiram” trabalhar na empresa em vez de “tenham” que trabalhar na empresa?  Você celebra conquistas e realizações? Você, como líder, delega? Você mantém seus liderados motivados e engajados principalmente num cenário de crise? Você, no momento de tantos dados e informações, ajusta  e alinha as prioridades da sua equipe? Você, como líder, realmente trata-os como “pessoas”? São questionamentos que se espera, de forma geral, que o líder realize com maestria, visando uma melhor liderança, em prol de melhores resultados.

Partindo pela ótica “Você conhece realmente seus colaboradores?” Pare por um momento e se questione: Conheço realmente meus colaboradores? Sei de onde vieram? Qual a história deles? Eles são casados? Têm filhos? No momento estão felizes? Estão motivados? Estão com medo da crise ou do desemprego? Sei o que os motiva? Quais seus objetivos e seus propósitos tanto profissionais como pessoais? Acredite, muitas vezes o colaborador possui sonhos como viajar, trocar de carro e outros, mas não alinha esses sonhos a um esforço maior profissional para de fato alcançá-los, e como líder você pode associar e reforçar isso.  Então sugiro a você investir pelo menos sessenta minutos do seu tempo com cada colaborador, chamá-los para uma conversa informal,conhecer cada história, pedir licença para anotar no caderno pontos importantes que você possa revisitar no futuro, até para que em  momentos oportunos, quem sabe, perguntar sobre os filhos deles inclusive pelo nome,  ou perguntar sobre algo importante que o colaborador tenha confidencializado e partilhado. Isso com certeza vai aproximá-los mais de você. Garanto que esse exercício vai fazer com que você   entenda melhor e se aproxime mais dos seus colaboradores, fazendo com que eles se sintam mais importantes  na organização, podendo inclusive produzirem mais .  Ao concluir essa conversa um pouco mais intimista, você poderá se dispôr a ajudá-los mais em seus objetivos e em contra-partida poderá mais uma vez convidá-los a se engajar mais nos projetos e objetivos da organização.

Ser um líder é como ser um maestro, você não precisa saber tocar todos os instrumentos ou ter dominio de todas as competências,  o que você precisa é reger a orquestra de forma harmoniosa, buscando tirar o que cada um tem de melhor, no intuito de transformar numa excelente melodia, que inspire todos a transformar os esforços  em excelentes resultados. E como disse o fundador da escola analítica da psicologia Carl G. jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana.” Pense nisso, seja mais um líder de pessoas, inspire e obtenha melhores resultados.