34406053 - group of business people discussing on a cafe

Existe gerente coordenador, gerente supervisor, gerente gerente e gerente diretor. Também podemos dizer, grosso modo, que todo mundo é gerente, pois todos gerenciam alguma coisa.

Gerenciamos tempo, dinheiro, a educação dos filhos e um monte de outras coisas.

De uma forma muito simples, poderíamos dizer que o líder cuida de gente e o gerente cuida de coisas.

Ops! Mas gerente não cuida de gente? Cuida, mas cuida também das coisas: horário, tarefas, férias, avaliação de desempenho, promoção, demissão. Coisas!

Sendo mais light e menos lógico-conceitual, eu diria que o líder cuida da alma da gente.

Mas o líder não cobra resultados, etc.? Sim, sim! Mas, de modo diferente do gerente, ele consegue conectar uma simples tarefa a um ideal maior, a um propósito maior e dar significado a ela. Ele explica, apoia, acolhe.

O gerente distribui tarefas entre seus funcionários segundo suas especializações. O líder vai além. Ele verifica quem é o melhor para fazer cada tarefa, respeitando a necessidade dos seus comandados, o momento que o possível escolhido está vivendo; faz uma análise mais holística.

Sem querer magoar os gerentes, o líder é um gerente com alma – com posto ou não na estrutura hierárquica de uma empresa.

Ficou difícil? Vou dar um exemplo clássico: Martin Luther King. Ele não trabalhava em uma empresa, não tinha nenhum cargo hierárquico, mas foi um dos maiores líderes da história mundial. O que fez? Conseguiu mobilizar, dar sentido a uma causa, deu significado a seus liderados, teve visão de futuro, foi um visionário.

O gerente, por seu lado, é a pessoa que administra recursos: financeiros, instalações, equipamentos, sistemas de informações, tempo, materiais e relativos às coisas dos funcionários (tarefas burocráticas). Tudo isso para obter resultados que são financeiros, de cumprimento de prazos, requisitos de qualidade, respeitando a segurança e a saúde dos empregados e o meio ambiente.

Qual foi o legado do grande líder Martin Luther King? Em poucas palavras: dedicou sua vida ao respeito da igualdade racial e justiça social nos Estados Unidos por meio da luta sem violência para a obtenção desses direitos. Sem cargo em nenhuma grande empresa, ele conseguiu colaborar para essa transformação tão necessária.

Na minha opinião, todo gerente deveria ser um líder. Mas não no sentido de impor sua vontade pelo medo e pela força de seu cargo. O verdadeiro líder se pauta pela força de seu caráter e de suas atitudes, pela comunicação franca, pela visão de futuro, pela capacidade de mobilização e motivação.

Todo líder é um bom gerente?

A resposta a essa pergunta pode ser analisada em duas esferas. Na esfera empresarial, geralmente é. Pensando fora das empresas, porém, nem sempre os líderes conseguem gerenciar com eficiência os recursos materiais, pois estão mais focados na causa.

Quando eu era mais jovem, almejava conseguir um cargo de gestão nos níveis hierárquicos das estruturas, como supervisão, gerência e diretoria. Essa vontade durou um bom tempo na minha carreira. Só mais tarde descobri que o maior prazer está em ser líder e que gerenciar está mais ligado a um status. Liderar é muito mais valoroso e prazeroso.

Termino dizendo que estas reflexões e definições são baseadas na minha experiência e carreira, e não necessariamente nas definições da academia e dos livros especializados.

E para você, o que lhe dá mais prazer? Ser líder, gerente ou um mix entre os dois?

 

Texto extraído do Livro -Crônicas de RH-Vol. 2. Os Psicopatas, o RH e eu do autor Carlos Rogério