Por Circe Bonatelli, O Estado de São Paulo. O mercado imobiliário na cidade de São Paulo registrou alta nos lançamentos e nas vendas em abril. O resultado revela um descolamento da capital paulista em relação a outras praças, onde os negócios esfriaram por conta das incertezas da economia e da disparada nos custos dos materiais.

Pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) antecipado para a Coluna mostra que, em abril, foram lançadas 4.760 unidades na capital paulista, montante 36,1% superior ao apurado em março e 150,3% acima do total de abril do ano passado. No acumulado de 12 meses, os lançamentos atingiram 65.709 unidades, leve expansão de 2,7%.

Além disso, foram comercializados em abril 4.083 apartamentos novos, queda de 14,2% ante março e alta de 112,3% ante abril do ano passado. No acumulado de 12 meses, as vendas totalizaram 57.124 unidades aumento de 11,7% na comparação com o período anterior.

Já no começo desta semana, pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CICB) mostrou uma queda dos lançamentos nacionais consolidados, devido ao receio de potenciais estouros de orçamentos e prejuízos.

Casa Verde e Amarela puxa vendas

A pujança em São Paulo teve por trás o programa Casa Verde e Amarela, que respondeu por 64% das vendas e 73% dos lançamentos na cidade em abril. Os compradores de imóveis econômicos têm uma necessidade latente por moradia e se dispõem a fechar negócios mesmo sem visitar a planta, o que facilitou os negócios com estandes fechados, explica o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

E no mercado de médio e alto padrão, as incorporadoras têm maior flexibilidade para repassar o aumento dos custos para os preços finais em São Paulo. No interior do País, isso é mais difícil, pois a renda dos compradores é mais limitada. Mesmo assim, Petrucci avalia que muitos projetos acabaram adiados pelas restrições da pandemia. A expectativa, segundo ele, é de que o próximo fim de semana tenha um pico de lançamentos.