Tomei a liberdade de traduzir e adaptar a introdução do relatório do Fórum Econômico Mundial de 2016, “O Futuro da Construção”, preparado em colaboração com o Boston Consulting Group.

Trata-se de documento da mais alta relevância para entender onde o setor da construção está hoje (tenho escrito bastante sobre isso) e que transformações precisamos fazer para a transformação da indústria da construção, buscado a sua modernização e industrialização, para reduzir significativamente a sua defasagem, em termos de produtividade, em relação aos setores mais avançados da indústria.

Este relatório destaca que a população mundial nas áreas urbanas está aumentando cerca de 200.000 pessoas por dia. Todas estas pessoas precisam de habitação, bem como de infraestrutura social, transporte, saúde, educação e serviços públicos.

Frente a tais desafios, a indústria da construção tem a obrigação moral e econômica de promover uma ampla transformação, reduzindo os custos de construção e o impacto sobre o meio ambiente, otimizando a utilização de materiais escassos e tornando os edifícios mais ecoeficientes, estreitando a lacuna da infraestrutura global e impulsionando o desenvolvimento em geral.

Embora a maioria dos demais setores industriais indústrias tenha sofrido grandes mudanças nas últimas décadas, colhendo os benefícios das inovações em processos e produtos, o setor de Engenharia e Construção tem hesitado em abraçar as últimas oportunidades tecnológicas. Sua produtividade está estagnada, pressionando para baixo o índice de produtividade global da indústria.

Este vergonhoso histórico para o setor construção pode ser atribuído a vários fatores: a grande fragmentação da indústria, baixo nível de integração e colaboração entre os agentes da cadeia de valor, as dificuldades para a contratação, capacitação e retenção de mão de obra direta e de gestores, sobretudo em momentos de maior nível de atividade, a baixa atratividade para  recrutar talentos no âmbito da liderança estratégica das organizações (sobretudo provenientes de setores mais desenvolvidos) e a transferência insuficiente de conhecimento de projeto para projeto, dentre outros.

Boas práticas

O relatório identifica as melhores práticas e fornece estudos de caso ilustrativos de abordagens inovadoras, para preparar a transformação da indústria da construção. As áreas de abrangência são:

  1. Tecnologia, materiais e ferramentas
  2. Processos e operações
  3. Estratégia e inovação do modelo de negócio
  4. Pessoas, organização e cultura
  5. Colaboração da indústria
  6. Marketing institucional setorial (compartilhado)
  7. Regulamentação e políticas
  8. Aquisições e licitações públicas

O projeto Futuro da Construção do Fórum Econômico Mundial é um esforço destinado a apoiar o setor de Engenharia e Construção, uma vez que persegue a sua transformação. A colaboração é, ou deveria ser, uma marca da indústria da construção: o sucesso futuro da indústria dependerá da colaboração efetiva entre todos os stakeholders. O projeto foi planejado como um esforço multianual. Em seu primeiro ano, o projeto está começando com o relatório – um mapa detalhado para nos ajudar a navegar através da transformação do setor.

Posteriormente, o projeto se concentrará em tópicos específicos. Por exemplo, de que forma as novas tecnologias, materiais e processos melhorarão a entrega dos projetos e o desempenho do ciclo de vida dos edifícios e como deveremos selecionar e adotar diretrizes referentes ao quadro de transformação da indústria da construção.

Este relatório recebeu a contribuição de muitas empresas ativas da cadeia de valor da construção: fornecedores de materiais de construção, produtos químicos e equipamentos; empreiteiros e empresas de engenharia, arquitetura e planejamento; bem como proprietários de projetos e empresas do setor de real estate, acadêmicos e líderes de governo, membros da sociedade civil e ainda, organizações industriais. Leia este documento na íntegra através do link.