De uma coisa do futuro da luz podemos ter certeza, qualquer projeto que fizermos hoje, em 10 anos estará obsoleto.

Se você me perguntar hoje se um projeto de iluminação compete a um arquiteto eu teria dúvidas para responder, porque hoje, um projetista de iluminação sem as bases biológicas necessárias ao entendimento do que é o ciclo circadiano, e qual a influencia da luz artificial no ser humano, não está apto à profissão de Lighting Designer.

Será que o nosso cliente de hoje, está preocupado com a saúde? Será que ele entende que um sistema de iluminação inadequado pode prejudicar seu sono, e por consequência, prejudicar a sua saúde? Será que o prefeito da sua cidade, o governador do estado, os vereadores, os senadores, sabem que a poluição luminosa causada pelas cidades é responsável por maiores índices de câncer de mama e de próstata, além de causar outras desordens metabólicas?

Precisamos colocar estes temas nas pautas das cidades. As pessoas sabem como a iluminação influencia a sua vida? A maioria não faz ideia da importância da iluminação.

Devemos considerar como vivíamos em nossas bases comportamentais, e que até 100 anos atrás não havia a luz artificial, então como fazíamos? Muita iluminação natural durante o dia e luz do fogo de nossos fogões ao anoitecer.

Devemos, portanto estimular o uso da iluminação natural durante o dia (zenital) e considerar uma iluminação indireta, mais difusa e menos agressiva durante o período noturno, além de respeitar o ciclo escuro, diminuir a iluminação das cidades em períodos menos ativos, utilizar a tecnologia a nosso favor, trabalhar em prol controles de presença, controles inteligentes e dimerização, pois a automação da iluminação das cidades pode ser uma grande aliada aos problemas enfrentados perante a crescente poluição luminosa. Em suma, toda criança deveria estudar o ciclo circadiano na escola, conhecer seu corpo e sua produção hormonal e os efeitos da luz natural e artificial em nossa vida. A iluminação interfere tanto na vida das pessoas a ponto de ser uma das responsáveis pela depressão.

O que devemos fazer?

Precisamos investir cada vez mais em educação, não recebi conhecimento sobre iluminação em minha escola, nem em minha graduação em arquitetura, o que foi uma grande perda de tempo, entrei em contato com o tema na especialização em iluminação, atualmente compartilho com meus alunos minhas pesquisas, mas é pouco, porque são alunos de pós graduação e especialização na área de arquitetura ou design de interiores.

Precisamos investir mais em pesquisa acadêmica, é muito importante para a evolução do comportamento humano. Custa caro, sim, tecnologias custam caro, conhecimento custa caro, mas países desenvolvidos tem seguido essa receita, na Suécia, por exemplo, existe um sistema de iluminação natural, o Parans Light System, que leva a luz do sol para dentro das edificações, são sistemas integrados com captação da luz e distribuição por fibras óticas, o sistema é integrado com sensores de luz e automação e iluminação led nos horários em que não há luz natural. Há benefícios? Muitos, a luz do sol é a melhor de todas, e é grátis, sem manutenção. Com o tempo, e em tempo, novas tecnologias ficam acessíveis.

E o que devemos esperar para o futuro da luz? Luz solar? Sim e outras pesquisas virão, novas tecnologias, nosso conhecimento é muito limitado. Por mais que se estude, é impossível saber tudo o que é necessário, portanto, precisamos estar abertos à troca de experiências, a dividir o conhecimento para somar. Pesquisar, ler, debater novos assuntos.

O futuro da luz é colaborativo, e o futuro é tecnologia limpa, o futuro não é o commodities como o Brasil conhece hoje, o futuro da luz é bem melhor que isso.

Iluminação é um assunto muito importante, ela afeta diretamente à sua saúde.

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Silvia Maria Carneiro de Campos, natural de São Paulo, onde reside, atua no mercado de iluminação LED desde 2008, arquiteta especialista em iluminação LED, com Pós Graduação em Iluminação e Design de Interiores e Master em Arquitetura & Iluminação. É titular do escritório IRIS um olhar para o futuro, e atua como Consultora de Negócios, inteligência estratégica e Relacionamento à industrias de iluminação, oferecendo atendimento técnico aos arquitetos e especificadores luminotécnicos em Projetos com tecnologia LED e Projetos Luminotécnicos de diversos seguimentos. Também dá aulas de iluminação em cursos de Pós Graduação. Certificada em Acessibilidade pela SMPD-SP foi colaboradora no CB-40 comitê de acessibilidade na revisão da ABNT 9050/15 e do comitê CB-03 COBEI da ABNT, onde participou da revisão das normas ABNT 5101 (Iluminação Pública) e 5413 (Iluminação de ambientes de trabalho, atual ABNT ISO/CIE 8995-1). Atualmente é colaboradora do grupo de projetos luminotécnicos da Comissão de Estudo Especial Modelagem da Informação da Construção (BIM) – Grupo de Trabalho sobre Componentes BIM ABNT/CEE-134