Em uma sala de aula, um museu, cabelereiro, um auditório, locais que exigem concentração, o máximo de ofuscamento admitido em uma instalação é 19. No índice UGR, até 19 é considerando conforto visual aceitável. Acima de 25 é considerado desconfortável e qualquer valor acima de 28 é considerado intolerável.

Segundo a Norma da ABNT ISO CIE 8995-1 é importante limitar o ofuscamento aos usuários para prevenir erros, fadiga visual e acidentes. No interior das edificações o ofuscamento desconfortável que gera a fadiga, vem geralmente de luminárias brilhantes sem proteção das fontes de luz.

Do ponto de vista técnico, quando falamos do Light Design, ou do projeto de iluminação é certo afirmar que em um bom projeto de iluminação, não é possível visualizar a fonte de luz.

A fonte de luz, seja ela qual for, causa ofuscamento e danifica a mácula do olho, portanto é necessário regular os níveis de ofuscamento UGR nas instalações de luz artificial, além de indicar os níveis de luminância desejados a cada tarefa visual, seguindo os parâmetros oferecidos pela norma técnica.

Existe uma escala métrica que informa através de cálculos, o índice de ofuscamento UGR de um projeto de iluminação, em uma escala que vai de zero, obviamente sem ofuscamento, a 28, o intolerável, sendo o correto consultar a norma técnica quanto aos níveis admitidos a cada ambiente.

Para trabalhos de precisão, onde há inspeção de cor e qualidade o limite máximo do UGR é 16.

Em uma sala de aula, um museu, cabelereiro, um auditório, locais que exigem concentração, o máximo de ofuscamento admitido em uma instalação é 19. No índice UGR, até 19 é considerando conforto visual aceitável. Acima de 25 é considerado desconfortável e qualquer valor acima de 28 é considerado intolerável.

A norma técnica existe e tem tabelas informativas para cada situação, é a ABNT ISO CIE 8995-1, que substituiu a NBR 5413 em 2013, regulamentada pela NHO-11 de 2017 (Norma de Higiene Ocupacional).

Alguns acreditam que o ofuscamento é produzido pela quantidade de luz (iluminância), portanto é necessário esclarecer.

A luz é essencial à nossa existência porque regula nossa fisiologia (ciclo circadiano). Durante o dia, a luz natural solar é a melhor fonte porque além de iluminar o ambiente regula todo o nosso sistema endócrino, portanto, durante o dia a luz natural é a mais indicada, uma boa arquitetura resolve essa questão.

Necessitamos em alguns casos de iluminação artificial por questões de segurança e há maneiras de tornar essa aplicação menos prejudicial.

Entenda seja lá qual for a fonte, a luminária precisa ter um controle de ofuscamento UGR, seja por refletor, que garanta um cutt-off, aletas, difusor prismático, opalino ou um acessório anti-glare.

Existem diversos tipos de proteção para o ofuscamento, o mais comum são as aletas, mas podemos encontrar colmeias e outros tipos aparatos para a proteção dos olhos, cada tipo de aplicação ou luminária tem as suas soluções.

Na pior das hipóteses, trabalhe de boné, lesões recorrentes por ofuscamento podem provocar doenças relacionadas a visão e até um descolamento de retina, e em alguns casos, são irreversíveis.

Fiz uma simulação para distribuição de iluminação em uma sala de aula.

Especifiquei um produto para uma obra, uma produto de embutir para forro de gesso com refletor multifacetado, com UGR em torno de 12, perfeito.

A luminária especificada (Lumicenter Lighting) tem um refletor multifacetado para controle de ofuscamento, ilumina sem danos, com uma luz confortável. Foto do autor.

A especificação foi substituída por questões de custo na obra, tanto vendedor quanto o engenheiro, justificaram que era a mesma coisa e colocaram Led Panels. Acontece que o índice de ofuscamento deste produto, na mesma aplicação chega a 29. É além do intolerável, o que é inadmissível. É um produto ruim, e fora da norma sem contar que pode causar um incêndio, é comum o produto apagado nas instalações com uma fuligem preta ao redor da peça. Fuligem preta em forro branco é sinal de fogo, que por sorte, não evoluiu para um incêndio.

Portanto não se engane. Não é a mesma coisa. O barato sai caro.

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Silvia Maria Carneiro de Campos, natural de São Paulo, onde reside, atua no mercado de iluminação LED desde 2008, arquiteta especialista em iluminação LED, com Pós Graduação em Iluminação e Design de Interiores e Master em Arquitetura & Iluminação. É titular do escritório IRIS um olhar para o futuro, e atua como Consultora de Negócios, inteligência estratégica e Relacionamento à industrias de iluminação, oferecendo atendimento técnico aos arquitetos e especificadores luminotécnicos em Projetos com tecnologia LED e Projetos Luminotécnicos de diversos seguimentos. Também dá aulas de iluminação em cursos de Pós Graduação. Certificada em Acessibilidade pela SMPD-SP foi colaboradora no CB-40 comitê de acessibilidade na revisão da ABNT 9050/15 e do comitê CB-03 COBEI da ABNT, onde participou da revisão das normas ABNT 5101 (Iluminação Pública) e 5413 (Iluminação de ambientes de trabalho, atual ABNT ISO/CIE 8995-1). Atualmente é colaboradora do grupo de projetos luminotécnicos da Comissão de Estudo Especial Modelagem da Informação da Construção (BIM) – Grupo de Trabalho sobre Componentes BIM ABNT/CEE-134