Estruturar o orçamento de obras

Com o intuito de esclarecer melhor os conceitos envolvidos na elaboração de planilhas de orçamento, pretendo abordar um tema importante neste artigo: como estruturar o orçamento de maneira à obtenção dos valores por etapa, por serviço, e global da obra, quando trabalhando com planilhas eletrônicas.

Note que estabeleci esta divisão porque alguns sistemas informatizados particularizam a fase de “serviço”, daí buscarmos este enfoque especifico quando estamos trabalhando em planilhas eletrônicas. Vamos lá:

Metodologia

  1. É nesta fase dos serviços que serão utilizadas as informações do levantamento quantitativo, base de dados de serviços e base de dados de recursos/insumos, portanto é a estruturação a do planejamento e controle de obra.
  2. Considere sempre que a base de dados de quantidade é uma personalização das bases de dados de serviços e insumos/recursos.
  3. Ao criar a base de dados de quantidade, leve em consideração as condições de planejamento e controle de obra.
  4. Verifique a correspondência das unidades da base de dados de serviços, e os levantamentos quantitativos.

Embora os sistemas atuais permitam a otimização dos orçamentos, é conveniente que a base de dados de quantidades seja preenchida seguindo uma rotina de andamento de obra. Ao estruturarmos a base de dados de quantidade, já estamos com as bases de dados de serviços e insumo sem uso.

Significa, portanto que teremos que administrar as informações de plantas (levantamento quantitativo) e base de dados (listagem de serviço).

Assim, se seguirmos o exemplo da NB12721 vamos codificar dentro das etapas:

1- Serviços iniciais;
2- Serviços preliminares;
3- Infraestrutura, etc.;

Ao seguir o Departamento de Obras do Estado, teremos:

1- Serviços preliminares;
2- Movimento de terra;
3- Fundações, etc.;

E se seguirmos a CEF, teremos:

1- Serviços preliminares;
2- Fundações;
3- Estrutura, etc.;

Por fim, se seguirmos a etapa de conta:

1- Projeto;
2- Análise de solo;
3- Análise de custo, etc.;

Diferentemente da base de dados de serviços, na qual tínhamos sugerido tentar não repetir serviços dentro de uma mesma etapa, nesta fase de quantidade isto é conveniente. As repetições de serviços dentro das etapas espelharão a realidade dentro das planilhas de quantidade.

Por exemplo: no item fundações, poderá acontecer de haver paredes. Portanto, dentro da etapa “fundações” haverá necessidade de codificar os serviços “parede”. Isto não significará que se esta estimando serviço na base de dados de serviços, mas que nesta obra haverá paredes na etapa fundação e na etapa de alvenaria.

Recomendo sistematizar as informações com os seguintes campos:

1- Identificação da obra;
2- Código ou especificação da obra, como metragem, cidade, etc.;
3- Indicação sequencial das folhas;
4- Nome da obra;
5- Local da obra;
6- Códigos de etapas e serviços;
7- Quantidade dos serviços.

Ao usar as planilhas de quantidade estaremos fazendo a relação serviços/quantidade/etapa.

A codificação deverá ser da base de dados de serviços e a quantidade das planilhas dos levantamentos.

Desta forma os sistemas desenvolvidos irão possibilitar a emissão de listagem de orçamentos que possuam pelo menos as seguintes informações;

– Etapas de serviços;
– Especificação dos serviços;
– Quantidades;
– Preços unitários;
– Material;
– Mão-de-obra;
– Total por serviço.

Permitindo usar a informação com o uso ou seu BDI; preço global e preço por etapa.

Planilha de Orçamento

Neste momento de nossos serviços, se estivermos trabalhando com sistemas, teremos em mãos nossas bases de dados de insumos (materiais, mão de obra e serviços), nossa base de dados de composição (seus índices de utilização) e para elaboração de um orçamento,só restará colocarmos no sistema os serviços e suas quantidades e multiplicadores de custo, tipo BDI.

Quando, no entanto, estivermos trabalhando em planilhas, teremos que recorrer às informações obtidas de:

– Quantidades (quadro de distribuição de quantidades)
– Composição de preços unitários (C.P.U)

Temos condição de montar uma Planilha orçamentária de custo?

O uso de um Quadro de Distribuição de Quantidades (QDQ) facilita bastante a quantificação e, se distribuída por andar, será uma planilha não só útil para o orçamento, mas também para o acompanhamento na obra.

Lembrando que uma planilha de preço nada mais é que:

Preço do serviço = Quantidade X Preço Unitário

Multiplicados e somados tantas vezes quantos forem os serviços que foram quantificados.

Agora, basta incluir preços unitários a estas informações e teremos uma planilha de custo. Observe que usando da técnica do QDQ podemos ter inclusive orçamentos por andar.

E de onde conseguir estes preços? Aqui é que começa a decisão de usar ou não sistemas de orçamento informatizado.

Se nosso problema é uma única obra, e quisermos obter uma ordem de grandeza, as informações destes preços virão de diversas fontes, como planilhas de órgãos onde já se fornecem os preços (houve um trabalho de coleta de insumos, elaboração de cpu, e foi emitido este preço para consulta).

Podem ser consultadas revistas ou fornecedores, montando-se assim os preços dos serviços.

Como estamos tendo as informações de quantidade em uma planilha do Excel, basta inserirmos uma coluna com as informações de preços ao lado de uma coluna de quantidade e, numa coluna seguinte, utilizar uma fórmula para obter como resultado o produto da quantidade pelo preço. Com isso, vamos obter o preço por serviço.

Se na obtenção destas informações estes preços vierem separados em “material” e “mão de obra”, basta incluir estas informações ao lado das quantidades.

Se obtivermos também informações de preços de serviços/equipamentos, elas podem ser igualmente acrescentadas à planilha.

Não há diferença na aparência de uma planilha executada em excel e uma planilha executada por sistema.

Mas, quando estamos trabalhando com as bases de dados já estabelecidas, existe a possibilidade de “estudar” mais os orçamentos.

Com o uso da informática na orçamentação, as composições já estão armazenadas nos bancos de dados, os insumos já estão cotados (daí a necessidade de estarmos constantemente atualizando-os), os sistemas farão as contas e os totais são obtidos rapidamente, podendo assim simular situações, com mudanças de preços, coeficientes ou mesmo quantidade, operações estas trabalhosas e arriscadas quando trabalhamos com planilhas.

Estas simulações são possíveis e recomendáveis quando trabalhamos com bases de dados e sistemas, pois o tempo médio de uma listagem de um prédio é de 5 a 10 minutos.

Além do orçamento propriamente dito, o sistema de orçamentos tem sido direcionado a emitir listagem com informações úteis em nível de complementação, acionando-se as informações já cadastradas.

São já usuais as seguintes listagens:

a) Listagem de composições de serviços

Neste relatório é apresentado:

– Caderno de serviço
– Código de serviço
– Código dos insumos
– Nomes dos insumos
– Coeficientes dos insumos na composição
– Totais de materiais/equipamentos
– Totais de mão de obra
– Leis sociais
– BDI
– Custo unitário de serviço

b) Listagem resumida das composições de serviços

Nestes relatórios são apresentados:

– Nome e código dos serviços
– Preços de materiais/equipamentos
– Preços de mão de obra
– Preço global

Estas listagens têm sua utilidade na ornamentação no sentido de serem indicativas e orientativas para orçamentos expedidos.

C) Curvas ABC

Nestas listagens são apresentados:

– Unidade
– Quantidade
– Preço unitário
– Preço global
– Percentual de participação do insumo no orçamento global
– Percentual de participação acumulado de cada insumo no orçamento global.

Esta listagem é considerada uma das ferramentas mais importantes na análise do orçamento, pois permite avaliar quais os insumos de maiores “pesos” na obra em análise.

Daí resultando uma análise de maior cuidado no preço e já orientando para a necessidade de acompanhamento em campo.

d) Curva ABC dos Serviços

Analogamente, apresenta o percentual de participação de cada serviço. Também uma ferramenta de análise de grande valia para identificar-se levantamentos, preços e metodologia executiva.

e) Orçamento por etapas

Listagem de orçamento resumida na qual são emitidos somente os totais por etapa. Em muitos sistemas, além dos valores apresenta-se também o percentual de cada etapa em relação ao total da obra. Estas informações são úteis para avaliar os percentuais básicos nos prédios. Com estas listagens, pode-se então simular, recalcular e elaborar um orçamento mais próximo do real com as informações mais detalhadas.

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Engenheiro civil formado pela Universidade Mackenzie em 1967, trabalhou inicialmente como engenheiro de obras e diretor de construtora; especializou-se na área de gestão de empresas de construção. Em 1984, fundou o SBD (Sistema Badra de Dados & Associados, escritório do qual é diretor até hoje) para prestar consultoria em elaboração de orçamentos de obras com uso da informática. Na década de 1990, foi coordenador e diretor da divisão de informática do Instituto de Engenharia. Atualmente, é um dos principais defensores do uso do BIM (Build Information Modeling, sistema em que o levantamento de quantidade é feito com base em desenhos tridimensionais) no Brasil. Em 2014 a 2017 Assessor da Presidência no Instituto de Engenharia para assuntos de BIM,Coordenou mis de 70 palestras sobre BIM na Engenharia, Palestrante sobre Orçamento com uso de BIM.2015 Reconhecido pelo IBEC e acreditado por International Cost Engineering Council, como Notório Saber em Engenharia de Custo .Tendo em seu acervo mais de 4 milhões de m² de obras orçadas.