Nos últimos meses os paulistanos têm ouvido com grande ceticismo sobre os projetos de despoluição dos rios Pinheiros e Tietê. Essa promessa vem sendo feita faz tempo sem nunca ter sido cumprida e parece ser algo impossível de ser realizado – mas não é. No contexto Europeu e América do Norte rios urbanos com qualidade aceitável coexistem com grandes centros urbanos.

Antes de tudo, a poluição dos rios Pinheiros e Tietê, bem como de seus afluentes, é principalmente causada por lançamento de esgoto doméstico não tratado.  O principal parâmetro que indica o lançamento de esgotos domésticos na água é a presença de Escherichia coli, do grupo dos coliformes termotolerantes. O aumento de matéria orgânica causada pelo lançamento do esgoto, e a sua decomposição por microrganismos reduzem os níveis de Oxigênio Dissolvido no meio aquático podendo chegar à situação de anoxia (ausência de oxigênio). Nesse caso a decomposição de matéria orgânica ocorre em meio anaeróbio e causa a emanação de subprodutos odoríferos. No caso de decomposição aeróbia o excesso de nutrientes liberados aumenta a atividade biológica e causam o crescimento excessivo de algas e macrófitas aquáticas em um fenômeno chamado eutrofização. O lançamento de esgotos domésticos também aumenta a Turbidez e as concentrações de surfactantes e de Sólidos Totais. Mas qual a origem deste esgoto doméstico lançado nos rios sem tratamento? A imagem abaixo vem frequentemente na mente quando se fala de esgoto não tratado.

Porém não é esse o único problema. No Estado de São Paulo 90% do esgoto é coletado, mas apenas 65% é tratado. Ou seja, uma parcela importante do esgoto doméstico é coletado e lançado nos rios sem nenhum tratamento. Alguns municípios em posições estratégicas possuem níveis muito baixos de esgoto tratado, como o caso de Guarulhos que coleta 88.8% do esgoto mas trata apenas 3.24% e lança boa parte desse esgoto não tratado no rio Tietê.

O problema do esgoto coletado mas não tratado depende de questões técnicas – falta de coletores e estações de elevação que permitam conduzir o esgoto coletado até as estações de tratamento – e políticas principalmente em relação a diferentes gestoras de água. Quando observamos as propostas atuais para a despoluição dos rios Pinheiros e Tietê vemos que a principal ação é justamente resolver a questão do esgoto coletado e não tratado. Ou seja, se as gestoras de água da grande São Paulo passarem a efetivamente tratar o esgoto coletado e não jogar diretamente nos afluentes a qualidade da água desses rios vai melhorar consideravelmente. A SABESP tem a meta de até 2025 coletar 92% do esgoto e tratar 85% e já tem em andamento obras como por exemplo do “supertúnel” sob a Marginal do Tietê que vai conduzir o esgoto de 2 milhões de pessoas de São Paulo ate a estação de tratamento localizada em Barueri. A despoluição do Rio Pinheiros também segue a lógica de aumentar os índices de esgotos tratados.

Uma vez resolvida esta questão ainda sobram alguns problemas mais complicados de resolver, como as comunidades em ocupações ilegais que não possuem nem a coleta de esgoto. Em alguns desses casos serão propostas pequenas estações de tratamento modulares para áreas de difícil acesso.

Caso as metas de tratamento de esgoto coletado sejam atendidas a qualidade das águas dos rios poderá ser considerada satisfatória mesmo que não sejam ainda adequadas para contato direto. Fica neste caso a necessidade de atuar em questões como a ligação ilegal da rede de esgoto na rede de drenagem e a poluição difusa, ou seja, a poluição que vem das águas pluviais ao lavar as superfícies. Ainda sem será uma situação sem dúvida já um cenário bem melhor para a vida do cidadão paulistano.

Nota: este post se propõe a trazer uma discussão sobre a situação atual dos rios de São Paulo e as propostas feitas pelo governo do Estado de São Paulo. As informações sobre os projetos do governo do Estado de São Paulo foram obtidas através de reportagens publicadas na mídia.