Levantamento realizado em outubro pela agência Corebiz mostra que e-commerces do segmento de casa, reformas e construção tiveram receita de R$ 9,7 milhões no mês. Isso representa uma alta de 107%, em relação ao mesmo período de 2019.

Por Nathalia Fabro, Casa e Jardim. Ficar tanto tempo dentro de casa, por conta da quarentena contra o coronavírus, ressignificou o modo como as pessoas enxergam o próprio lar. Isso afetou diretamente no mercado de construção civil e de arquitetura. Estudos mostram que aumentou expressivamente a busca por móveis, reformas e itens de tecnologia domésticos.  

Na startup ArqExpress, que oferece serviços de decoração e arquitetura, a procura por reformas cresceu 400% desde março, quando houve o início do isolamento social no Brasil. “No primeiro semestre, notamos que as pessoas buscavam mais consultorias para mudar pequenas coisas dentro de casa, como montar um home office adequado. A partir de agosto, aumentou a procura por alterações maiores que, de fato, deixassem a residência mais agradável para o convívio e permanência”, afirma Renata Pocztaruk, arquiteta e CEO da empresa. 

Para Renata, esse crescimento está relacionado com o entendimento do brasileiro de que a quarentena ia durar mais tempo e não seria possível investir tão cedo em outras atividades, como viagens ou festas. “Muitas famílias redirecionaram a verba das férias de julho, por exemplo, para transformar as suas casas”, ela comenta. 

Os números indicam a mesma percpeção: uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) aponta que, entre 1º de março e 30 de abril, o número de vendas online de móveis e itens de decoração cresceu 23,61%. Já um levantamento realizado em outubro pela agência Corebiz mostra que e-commerces do segmento de casa, reformas e construção tiveram receita de R$ 9,7 milhões no mês. Isso representa uma alta de 107%, em relação ao mesmo período de 2019. 

No estudo da Corebiz, o setor de tecnologia, no geral, registrou recuo no faturamento, com decréscimo de 22% na comparação mensal e 32% no demonstrativo anual. “O maior crescimento na variação anual pode ser atribuído ao ritmo natural de retomada das atividades, depois um forte recuo nos primeiros meses, períodos de pico da pandemia”, diz Renan Mota, fundador da agência. 

Mas para os produtos voltados para casa conectada, o cenário pode ter sido mais positivo. Dados do Google Trends, ferramenta que mostra os termos mais procurados, indicam um crescimento de mais 200% nas buscas por palavras relacionadas à casa inteligente na semana da Black Friday, realizada no dia 27 de novembro. 

Na rede Fast Shop, por exemplo, as vendas de assistente de voz e itens para automatização do lar tiveram alta de 20% durante a sexta-feira de descontos, em comparação com a mesma data no ano passado. Os acessórios mais comercializados foram smart speakers, controle remoto por voz e hardwares para transmissão de vídeos em alta resolução.