Muito se discute a respeito de formas de avaliar empresas e sobretudo startups e negócios de inovação em geral. Fórmulas clássicas de finanças como fluxo de caixa descontado, múltiplos, soma das partes e outras comparações que, na maioria das vezes não conseguem captar com precisão todas as variáveis para se chegar, não apenas em um valor financeiro, mas sobretudo em um valor estratégico de um negócio.

Foi quando nos deparamos com a metodologia de avaliação de uma competição de surfe, vejam só! Afora uma série de outros critérios como interferência, manobras, os juízes se baseiam no que chamam Speed, Power e Flow para avaliar a performance de um surfista em uma onda.

Mas o que o surfe tem a ver com as startups? Em nossa analogia, o sistema de avaliação é perfeito, desde que as variáveis sejam corretamente medidas.

A começar pelo Flow: a fluidez é o que a solução que a startup está propondo, trará de benefício aos consumidores. Qual “dor” ou “atrito” a empresa está resolvendo. Esse Flow pode ser classificado e valorado de acordo com o tamanho da dor que está sendo resolvida. Todos nós sabemos o benefício que empresas como Uber ou Ifood estão nos trazendo para tarefas do dia a dia. Daí deriva-se o tamanho do benefício de forma cientifica como tamanho do mercado entre outros.

Já como speed, ou velocidade, consideramos a qualidade da execução dos empreendedores. Como administrar e conseguir recursos para realmente atingir o flow? Além da viralidade da ideia, que basicamente quanto maior reduz a necessidade de divulgação e, portanto, a necessidade de capital a ser investido. As receitas do Flow, descontamos o custo do Speed e começamos nosso modelo matemático para determinada empresa.

Mas cuidado, quanto maior a viralidade, maior a chance de o negócio chamar novos concorrentes que, se forem administrados com melhor speed, certamente causaram imensos estragos ao desenvolvedor inicial.
Entretanto o verdadeiro valor está no Power! O Power é a capacidade da empresa realmente se diferenciar e permanecer em uma posição dominante por um longo prazo. Aqui lembramos da estratégia do Oceano Azul. A grande maioria das startups com boas idéias de Flow e um time experiente de Speed tenta chegar no Power investindo rios de dinheiro. Algumas conseguem, mas a grande maioria não. A quantidade de recursos disponível, certamente acelera a empresa (speed) mas não impede a entrada de novos concorrentes.

Dois exemplos aqui: o próprio Uber que reconhecidamente tem Flow e imensos recursos (Speed) está enfrentando um mar cada vez mais vermelho com concorrentes por todos os lados. Já a Amazon que por anos “queimou” recursos a fim de ganhar Market-Share e tirar concorrentes do jogo, apenas montou uma estratégia convincente de Power com a adoção de internet das coisas (Alexia entre outros). Não é um poder definitivo, mas agora com aparelhos prontos a responder comandos de voz em milhões de lares, atrelado a uma execução estupenda e rios de dinheiro, fica difícil, senão impossível para a concorrência.

Utilizando a metodologia Speed, Power & Flow para Real Estate

Pensando em um projeto de real estate, fica simples concluir que a metodologia pode auxiliar outros setores: Flow: são os benefícios do empreendimento, seja ele residencial, comercial ou industrial. Entram aqui a localização, tipo, preço, características do empreendimento, enfim aquilo que normalmente encontramos em um prospecto de vendas. Chegamos aqui ao VGV do projeto.

Já o Speed é a qualidade da execução como acabamento e prazo, além obviamente da velocidade de vendas entre outros. Aqui calculamos os custos e rodamos o modelo de viabilidade.

Mas e o Power? Pense em o que pode tornar o seu empreendimento único e que o faça um ícone para as próximas gerações. Todos os empreendimentos icônicos que conhecemos tiveram diferenciais de Power. Seja pela arquitetura, seja pelos equipamentos, seja pela tecnologia. Como exemplo de comunidade planejada temos a Riviera de São Loureço. Com sua segurança aliada a serviços públicos privatizados como manutenção de ruas e tratamento e fornecimento de esgoto.

O Power continua produzindo bons dividendos aos investidores iniciais do projeto além de agregar um valor enorme ao desenvolvedor que se utilizou da “fama” da Riviera em seu outros vários projetos. Mas cuidado, mesmo a Riviera, se não continuar se atualizando, poderá perder o seu “power”, afinal todos os projetos necessitam de atualizações para continuarem com a sua diferenciação!

SPF para sua carreira

Em relação a carreira, a metodologia é ainda mais fácil de utilizarmos. Todos nós que temos prazer em nossas profissões já experimentamos momentos de Flow. Aquele sentimento de imersão total no que estamos fazendo, em que não vemos o tempo passar e que sentimos grande prazer e energia ao realizar. Se nunca sentiu, sinto muito, mas acho que está na hora de mudar de profissão…no momento estou em Flow escrevendo esse artigo…

O Speed é, para a grande maioria das pessoas, a grande preocupação: como trazer mais clientes para os empreendedores ou como subir de posição na minha empresa. Aqui enumeramos o esforço individual, relacionamentos interpessoais, networking entre outros.

Mas e o Power? O Power é aquele extra que diferencia profissionais bem qualificados dos grandes empresários e líderes. Algumas medidas temos como tomar, como por exemplo fazer um curso que seja o melhor no nosso ramo de atuação (por exemplo um MBA em uma grande escola para os administradores), ou publicar uma tese e ou artigo bem-sucedido para um profissional técnico na melhor publicação de sua área. Ou mesmo prêmios e reconhecimentos. Obviamente carisma sempre ajuda, mas o esforço para atingir o pleno Power é imenso! Lembrem-se dos grandes chefes e profissionais que encontraram e continuam encontrando no seu dia a dia. Com certeza o SPF está facilmente identificado!

Estaremos publicando uma série de artigos com exemplos práticos, modelos e mais literatura no SPF em breve. Visite nossa página e se inscreva para estar sempre atualizado de novas publicações e cursos.


Fonte: ADITBrasil