suprimentos construtech construção civil

Quando pedimos a alguém que caracterize um integrante da área de suprimentos de uma empresa, provavelmente a figura que será descrita é a de uma pessoa constantemente ao telefone com seu inseparável porta-cartões ou, para os mais avançados, em um computador com sua planilha onde estão todos contatos de fornecedores adquiridos durante a carreira. Infelizmente, essa visão ainda hoje faz sentido para muitos, porém, e de forma positiva, percebemos um movimento em que essa imagem está virando algo do folclore corporativo e gradativamente entrando em extinção. Partindo desse movimento, gostaria de propor uma análise sobre quais as características que um profissional da área de compras deve demonstrar nos dias atuais e principalmente, qual o perfil adequado de um PROFISSIONAL DE SUPRIMENTOS na era da Conectividade e das Construtechs? É sobre esse tema que conversaremos um pouco mais nos próximos parágrafos.

Se observarmos ao longo da história, conseguiremos identificar eventos que marcaram o desenvolvimento da área de suprimentos em diversos setores. Inicialmente esse departamento era visto essencialmente como uma estrutura operacional, realmente restrita a compras, onde pessoas realizavam cotações, elaboravam planilhas e demonstravam um forte apelo em negociação de valores.

Com o passar dos anos a competitividade do mercado aumentou substancialmente através da difusão de novas tecnologias e da redução de margens de vendas, nesse cenário as  empresas se reorganizaram visando implementar em suas estruturas áreas de Suprimentos, com uma visão tática e principalmente estratégica, esse foi um grande movimento que ganhou importância através de muitas vertentes, dentre elas o strategic sourcing. Com a implantação desse conceito as equipes começaram a atuar com foco maior no conhecimento dos processos e produtos adquiridos, o que gerou uma reavaliação do perfil dos profissionais que integravam essa área ocasionando mudanças, novas atribuições de cargo e criação de novas funções.

Importante salientar que essa tendência ainda não está consolidada no setor de construção – tema do nosso estudo – e não raramente podemos encontrar organizações que estão em processo de implementação desse conceito ou que ainda não chegaram a esse patamar. Como última onda de evolução, vivemos hoje a era do risco, em que somos diariamente provocados a analisar potenciais riscos para nossos negócios, sejam eles, trabalhistas, ambientais, sociais, reputacionais e etc. Essa é a agenda mais atual da área e tem sido pauta de estudos e consultorias.

Citar esse histórico é importante para entendermos as lições aprendidas, a evolução do tema ao longo do tempo e assim propor uma reflexão sobre tópicos para que sejam condizentes a realidade, com foco na área de construção. Seguem abaixo 03 ações fundamentais na composição do perfil de um profissional da área de Suprimentos:

 

  1. Exercite seu networking – Esse é um ponto crucial e que devemos constantemente aprimorar. Devido ao dinamismo do mercado e as ofertas de soluções, os porta-cartões e os grandes catálogos tornaram-se ferramentas de alcance restrito e muitas vezes desatualizadas quando estamos à procura de informações de terceiros, no entanto, independentemente do método que se utilize, a prática de organizar dados, de conhecer fornecedores, seus produtos e aplicações é uma questão fundamental para realização de boas aquisições, além de ser a essência da função de Suprimentos. A grande diferença entre o passado e os dias de hoje está nos diversos canais de acesso disponíveis. Atualmente há disponíveis diversos canais para encontrarmos produtos, conhecermos novas empresas, soluções, que vão desde uma apresentação institucional e presencial (mais tradicional), passam por fóruns, eventos e chegam em larga escala e de forma exponencial através de mídias digitais, redes sociais, mailings, webinars, sites e portais de relacionamento de compras. Falando especificamente sobre esses últimos métodos, os mais tecnológicos, é extraordinário saber que caminhamos para ter a oportunidade de compilar em um único meio todas informações que no passado encontrávamos de forma segregada. Entendo que esse é um caminho que cresce em outros setores e que invariavelmente se consolidará também em nosso meio.
  1. Acompanhe seus fornecedores: É imprescindível que o profissional de compras aprimore o conceito de gestão no seu dia-a-dia. O primeiro passo nesse processo é a homologação de fornecedores que, realizada de forma consistente, é estratégica para a companhia. O conhecimento da estrutura financeira de seus fornecedores, seu desempenho no mercado e risco reputacional – principalmente no que se refere a empresas de prestação de serviço – refletirão diretamente na entrega do produto final. Outro ponto muito importante e complementar à homologação é a gestão do ciclo de vida dos contratos, que deve ser realizada através do acompanhamento de documentos, avaliações de desempenho dos fornecedores, pontualidade de entregas e do feedback dos usuários. Quando falamos de contratos, é importante enfatizar que devemos entender que estamos abrangendo o ciclo do fornecedor em todos aspectos e não somente do contrato jurídico – com essa prática conseguiremos gerar uma cadeia de ações que criarão um ambiente assertivo para tomada de decisões gerenciais em toda o ciclo do projeto.
  1. Seja um facilitador, um integrador de idéias – É indiscutível que a habilidade de negociação faz parte do perfil da função e tem que estar no DNA do profissional dessa área, digo isso pois constantemente necessitamos negociar situações comerciais com fornecedores externos e outras vezes precisamos exercitar essa prática com nossos clientes internos, seja na apresentação de idéias ou na busca de soluções. Está claro que o COMPRADOR dos dias de hoje tem como principal objetivo viabilizar soluções, sendo esse a maior responsabilidade do integrante dessa área. A empatia – ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro – tem que ser determinante em quem exerce tal função, pois em um contexto de tantas inovações, de busca por produtividade, de redução de custos, de atendimento a certificações e normas, esse profissional terá acesso a informações “privilegiadas” e a oportunidade de criar uma das melhores interfaces de relacionamentos internos (produção, projetos, planejamento) e externos (fornecedores, mercado), proporcionando condições de contribuir na melhoria dos processos baseado no conhecimento e vivências dos desafios propostos.

Além da questão comportamental é importante estar atento as novas tecnologias, conceitos de gestão e ferramentas de suporte disponíveis. Há uma grande variedade de opções (sites de busca, sites institucionais, portais de compra) que proporcionam maior qualidade e variedade nas informações. Seja no passado ou hoje, na era das Construtechs, não devemos abrir mão de utilizar todas as vias disponíveis para qualificar nossa entrega. Caminhamos para um mercado que não busca somente a aquisição isolada de produtos – sim, essa é uma parte da agenda que devemos cumprir – mas estamos em um período de busca por empresas que ofereçam soluções, sejam com opções de produtos alternativos e viáveis, sejam com propostas de industrialização ou até mesmo em aquisições em formatos turn-keys, mas isso é um outro fórum e poderemos tratá-lo no futuro em outro artigo.

Todos os pontos acima visam aumentar o nível de satisfação e percepção dos stakeholders sobre o resultado do que entregamos. Esse deve ser nosso papel, pelo qual precisamos zelar para garantir e superar as expectativas.