Alberto Pedrini, Managing Director na GTIS Partners, conta como o uso da tecnologia vem compensando a distância entre os funcionários da usa empresa durante o período de isolamento provocado pela covid-19.

O LIGA Blog entrevistou Alberto Pedrini, Managing Director na GTIS Partners, empresa norte-americana com sede em Nova York, com objetivo de entender como o trabalho na construção civil vem sendo realizado durante a quarentena e quais são os impactos do coronavírus para o futuro do setor. Confira!

Qual é sua área de atuação na construção civil?

Trabalho numa empresa norte-americana, com sede em Nova York. É uma empresa de investimentos no mercado imobiliário, atuando nos EUA e no Brasil, em diversos segmentos do mercado imobiliário, tais como edifícios residenciais, edifícios de escritórios corporativos, centros de distribuição, hotéis, casas para locação (somente dos EUA) e recentemente iniciou investimentos no Brasil em energias renováveis (eólica e fotovoltaica). Estamos no Brasil há mais de 12 anos e nesse período investiu mais de US$ 2,0 bi no país. O nome do meu cargo é Managing Director, e sou responsável pela área técnica da empresa, envolvendo desenvolvimento de projetos e execução de obras, atuando também em estudos de viabilidade de novos negócios e no pós-obra dos empreendimentos.

Como foram as primeiras reações da sua empresa diante do surto de Covid-19?

Procuramos obter informações de fontes confiáveis. Embora soubéssemos desde o início que a Covid-19 era muito grave, não tínhamos noção das dimensões dela no Brasil, e, também, não sabíamos sobre as consequências e efeitos colaterais na economia e na vida das pessoas.

Quais foram as primeiras medidas de contenção?

A empresa agiu rapidamente e desde 14 de março todos os funcionários estão trabalhando em suas respectivas casas, com a recomendação de permanecerem isolados. A partir de 16 de março, iniciamos o planejamento para a paralisação total das obras. Temos funcionários com alto nível de instrução e as informações foram difundidas de maneira adequada e tranquila, sendo de pronto absorvidas e acatadas.

Estão conseguindo manter as atividades essenciais?

Estamos trabalhando nas nossas respectivas casas, fazendo muitas videoconferências com o pessoal interno e, também, com as demais empresas de nosso relacionamento. Estamos bem estruturados com relação aos aparatos técnicos necessários para o trabalho a distância, pois sempre praticamos o home-office de maneira parcial e o uso de videoconferências com os nossos pares nos EUA e no mundo inteiro. Perdemos alguma produtividade, que está sendo compensada com folga com o uso do tempo que gastávamos nos trajetos de ida e volta para o escritório.

Como a crise provocada pela pandemia pode afetar sua empresa no futuro?

Tenho certeza que o mundo e as pessoas mudarão, mas não me arrisco a elencar o que será. Os negócios mudarão e as empresas, grandes e pequenas, passarão a colocar em seus planejamentos estratégicos (mesmo que não reconheçam esse nome) a possibilidade de algo parecido voltar a acontecer. No âmbito pessoal, creio que as pessoas irão se lembrar, pelo menos durante um certo tempo, que o ser humano é frágil e que dependemos de outras pessoas, assim como a infraestrutura das cidades, para vivermos. Creio que não haverá grandes mudanças na empresa, pois já trabalhávamos com procedimentos e recursos que apenas passaram a ser mais utilizados do que nessa fase de quarentena.

O quanto sua vida foi afetada nesse período de quarentena?

Com base nas situações que estou vivendo a partir do dia 14 de março até agora, eu diria que no trabalho não estou tendo mudanças que me incomodem, a não ser a adaptação obrigatória, minha e de minha família, com relação ao trabalho diário em casa. Em casa e no lazer, houveram maiores alterações, com a eliminação de saídas para restaurantes e compras. Deixei de fazer as minhas caminhadas matutinas diárias, as quais estou substituindo por descidas e subidas pelas escadas do edifício onde resido (estou no 18º andar, então é um bom exercício).


O LIGA Blog está publicando entrevistas com diretores de grandes empresas brasileiras da construção para entender como estão as empresas do setor estão lidando com os desafios proporcionado pela pandemia do coronavírus.