As paredes de blocos cerâmicos têm menos impacto nas mudanças climáticas, emitem 50% menos CO2-eq. que paredes com blocos de concreto e 66% menos que as paredes de concreto armado moldadas in loco.

O desenvolvimento tecnológico na produção dos blocos cerâmicos estruturais e os mais rígidos controles de processos, aliados à constante atualização das normas para projeto, execução e controle da alvenaria estrutural, recentemente unificadas para blocos cerâmicos e de concreto conforme projeto ABNT NBR16868, partes 1, 2 e 3, proporcionam ainda mais a difusão de um dos sistemas construtivos mais antigos da humanidade.

Em um país de extensões continentais como o Brasil, com grande déficit habitacional, a crescente busca pela industrialização ainda esbarra em fatores econômicos e sociais que devem ser analisados com cuidado. Sendo a construção civil uma das maiores geradoras de empregos, vale avaliar no momento, se a construção realmente racionalizada, poderia cumprir seu papel social, mantendo empregos e melhorando a qualificação dos seus operários, preparando-os, para que a tão sonhada industrialização aconteça e possamos atingir patamares de produtividade como nos países mais desenvolvidos.

A alvenaria estrutural é um sistema construtivo racionalizado, mais econômico que os sistemas construtivos tradicionais. Quando comparado às estruturas de concreto armado, permitem uma redução de custo média de 20% do valor total da obra. Valor extremamente significativo na busca das empresas construtoras em aumentar a sua competitividade no mercado da construção de edifícios e ainda pouco explorado em algumas regiões do país. A economia citada e exaustivamente comprovada está relacionada a:

  • Maior velocidade de execução da obra.
  • Menor número de insumos.
  • Eliminação de formas.
  • Redução significativa das espessuras de revestimento.
  • Redução dos desperdícios de material e mão de obra.
  • Redução do número de especialidades de mão de obra.

O principal conceito estrutural ligado à utilização da alvenaria estrutural é a transmissão de ações através de tensões de compressão, sendo o componente básico da alvenaria o bloco. Quando executadas com blocos cerâmicos, podem proporcionar ainda maior economia de custos e melhor desempenho, devido às características da sua matéria prima conhecida a milênios.

Estas economias estão intimamente relacionadas aos subsistemas Vedações, Estruturas e Revestimentos e serão tanto maiores, proporcionalmente ao quanto estes três subsistemas representarem no custo total da obra. Daí, pode vir, a equivocada interpretação de que o sistema de Alvenaria Estrutural é mais adequado para obras populares. Na verdade, nestas obras, a economia é maior, porque, os custos das vedações, estrutura e revestimentos representam mais no custo final. Nas obras de alto padrão a economia também existirá, na proporção adequada.

No comparativo abaixo, o autor levantou os custos da mesma edificação, executada com 4 tipologias diferentes, adotando a alvenaria estrutural com blocos cerâmicos de 4 pavimentos sobre fundação direta como referência, comparando com a tipologia de alvenaria estrutural com blocos de concreto também de 4 pavimentos sobre fundação direta. Ainda comparou com alvenaria estrutural de blocos de concreto executada sobre pilotis e por fim, comparou com a estrutura convencional de concreto armado.

Considerando o resultado encontrado, e dependendo da representatividade dos subsistemas no custo total, a economia gerada pelo sistema construtivo de alvenaria estrutural em blocos cerâmicos de 4 pavimentos sobre fundação direta irá variar de 22% a 32% de redução de custos em relação ao custo da tipologia de concreto armado convencional.

Vantagens econômicas

  • Menor peso do componente cerâmico (7Kg) em relação ao componente de concreto (12Kg), proporcionando maior produtividade da mão de obra.
  • Maior alívio do carregamento nas fundações, proporcionando em média 8% de redução do aço nas fundações.
  • Otimização do transporte horizontal e vertical. O mesmo equipamento poderá transportar mais m2 de alvenaria devido ao menor peso do componente cerâmico.

Vantagens técnicas

  • Rastreabilidade, gravação no bloco que possibilita verificar, nos registros do fabricante, as condições específicas do lote a que pertence o bloco. No caso de obras de maior exigência estrutural com blocos de altas resistências, no caso de extravio de nota fiscal, a resistência pode ser confirmada pelo número do lote de produção.
  • Conforto térmico e resistência ao fogo, de uma forma bem simplista podemos avaliar o coeficiente de condutibilidade térmica de cada material. Este coeficiente indica a capacidade de uma substância em transmitir calor, expresso por W/m°c. No caso dos blocos cerâmicos é 1,0 (vide os filtros de barro) e no caso dos blocos de concreto 1,74. Todos os ensaios para atendimento a ABNT NBR 15575 estão disponíveis nos respectivos manuais dos fornecedores.
  • Maior Eficiência – relação das resistências Prisma/blocos. A eficiência, para os blocos cerâmicos de paredes vazadas com resistência de até 10MPa, sempre esteve por volta de 0,5. Hoje com os blocos de paredes maciças e resistências de até 18 MPa, chegamos a eficiências por volta de 0,6 o que diminui a resistência necessária para os blocos em prédios mais altos.
  • Desempenho acústico, também atendido em relação às normas de desempenho com mudanças na geometria e uso de paredes maciças nos blocos cerâmicos.
  • A avaliação do ciclo de vida (ACV) é uma técnica empregada na análise dos aspectos ambientais e dos potenciais impactos associados ao ciclo de vida de um produto, processo ou serviço. A ACV enfoca o ciclo de vida desde a extração de matérias-primas, passando pelas etapas de transporte, produção, distribuição e utilização até o descarte final. No caso dos blocos cerâmicos esta ferramenta mostrou resultados interessantes para ajudar o consumidor na escolha entre os tipos de produtos, tais como:
  1. As paredes de blocos cerâmicos têm menos impacto nas mudanças climáticas, emitem 50% menos CO2-eq. que paredes com blocos de concreto e 66% menos que as paredes de concreto armado moldadas in loco. A baixa emissão de gases de efeito estufa se dá porque os blocos cerâmicos utilizam fontes de energia renovável em sua fabricação, como o cavaco de madeira e biomassas descartadas por outras indústrias, ajudando a limpar o meio ambiente.
  2. Causam menor esgotamento de recursos não renováveis, consumindo 43% menos que paredes com blocos de concreto e 63% menos que paredes de concreto armado moldadas in loco.
  3. Consomem 24% menos água que uma parede construída com blocos de concreto e 7% menos que uma parede de concreto armado moldada no local.

Referências

______. Projeto NBR 16868-1: Alvenaria estrutural- Parte 1: Projeto

______. NBR 15270-1: Componentes cerâmicos – Blocos e tijolos para alvenaria Parte 1: Requisitos. Rio de Janeiro, 2017.

CAVALHEIRO, O. P.; ROMAN, H. R.; SINHA, B. P.; PEDRESCHI, R. F. Curso internacional de alvenaria estrutural. [S.l.]: Universidade Federal de Santa Maria, 1997. 145 p.

CARTILHA AMBIENTAL; Anicer; Associação Nacional da Industria Cerâmica.

PARSEKIAN, G. A.; Alvenaria estrutural em blocos cerâmicos: projeto, execução e controle/ Guilherme Aris Parsekian, Márcia Melo Soares- São Paulo: O Nome da Rosa, 2010.


Eng. MSc. Márcia Melo
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