O BCG publicou em março deste ano um relatório relevante sobre inovação “Most Innovative Companies 2019: AI, Platforms, and Ecosystems”, extraindo dados de pesquisas recentes.

Participaram da composição do texto deste relatório os executivos: Michael RingelFlorian GrasslRamón Baeza e Justin Manly, cujos nomes dispensam apresentação.

Mais do que um conteúdo relevante, no documento são abordadas as principais tendências e quais são as empresas no mundo que os executivos consideram como as 50 mais inovadoras.

Entender como as plataformas colaborativas, os hubs e os ecossistemas estão mudando a inovação, é algo tão relevante hoje quanto encontrar “o mapa da mina”.

A introdução do material relata um caso interessante registrado em 2016, quando um grupo de pesquisadores médicos finlandeses ganhou uma competição global para prever as taxas de sobrevivência do câncer de próstata com precisão. Do ponto de vista da inovação, dois fatos se destacam:

  • A competição foi virtual: foi hospedada e gerenciada em uma plataforma baseada em nuvem que facilitou a colaboração científica;
  • Antes de entrar no concurso, a equipe finlandesa não era ativa na pesquisa do câncer.

Estes fatos comprovam que a inovação hoje pode vir de qualquer lugar e, cada vez mais frequentemente, vem de fora da empresa.

A tecnologia e a ampla divulgação de bases de dados e de informações por múltiplos canais de comunicação ajudaram a nivelar o campo competitivo, tornando mais fácil para qualquer um e em qualquer lugar acessar todo o conteúdo necessário para se inspirar, desenvolvendo novas ideias e conceitos, explorando o conhecimento de profissionais conectados virtualmente ou atuando em hubs ou labs de inovação, em diferentes áreas de conhecimento e de especialização. Não se trata somente de explorar incubadoras ou aceleradoras “empoderadas” e mescladas a estruturas tradicionais, embora este modelo esteja em elevada ascensão e tenha bom potencial para a oxigenação de negócios. Talvez possamos qualificar estes dois conceitos como a diferença entre revolução/transformação e a promoção de melhorias e mudanças.

Pesquisa e Desenvolvimento

Grandes avanços na área de P&D estão sendo realizados por várias das empresas consideradas como as mais inovadoras, que têm criado organizações férteis, num ambiente propício à criatividade, explorando processos, incentivos e tudo o que for necessário para trazer ideias externas para o contexto de suas áreas de interesse, encurtando o tempo e o caminho para atingir os resultados, produtos e soluções desejados.

Novamente isso traz à tona que, no centro da inovação, mais do que a própria tecnologia está o Capital Humano, como o principal ativo das organizações, mas não se limitando aos seus muros. Uma liderança preparada para articular redes de profissionais e pesquisadores de elevada competência, com habilidade para atrair e reter talentos internos e externos, mesmo que voltados especificamente para um projeto com objetivos específicos, certamente é o principal diferencial para que este novo modelo dinâmico funcione.

Inteligência artificial

O relatório do BCG destaca que o uso crescente de plataformas como a Synapse, que hospedou o desafio do câncer de próstata, está tornando a inovação mais multipartidária e colaborativa constituindo-se em uma evidente tendência, ou seja: um claro caminho para o sucesso no próximo ciclo de desenvolvimento tecnológico e científico no qual já estamos vivendo.

Google, Amazon, Apple, Samsung, Tesla têm explorado plataformas baseadas em Inteligência Artificial e na Internet das Coisas (IoT), o que tem possibilitado a criação e a rápida oferta de novos serviços para os seus clientes, consolidando-se em propostas e soluções muito mais engajadas em suas expectativas e necessidades.

Talvez o parágrafo abaixo, extraído do relatório do BCG seja uma chave importante para entendermos os principais modelos de ecossistemas em atividade:

“As tecnologias digitais permitem plataformas de colaboração e estas plataformas de colaboração possibilitam que os ecossistemas reúnam um grupo de organizações para construir um novo recurso ou oferta de produto ou serviço, para que um novo campo de ciência ou tecnologia possa a avançar. Alguns ecossistemas representam expansões de formas tradicionais de organização e realização de negócios. Eles tendem a ter no seu centro um orquestrador, com o qual todos os outros participantes interagem, juntamente com hierarquias e estruturas estabelecidas. Outros ecossistemas – incluindo muitos que estão envolvidos na fase inicial de P&D – tendem a ser mais dinâmicos, menos dependentes de um orquestrador central e são mais vinculados a interações multifacetadas entre os participantes. Vários tipos de “cola” ligam os participantes do ecossistema. O dinheiro é um deles, é claro, mas o conhecimento, os dados, as habilidades e a comunidade podem ser igualmente importantes.”

Vale destacar que no meio destas transformações, os ecossistemas e hubs de inovação, seja lá qual for o seu modelo de funcionamento, tendem a ocupar, cada vez mais, um papel estratégico e crítico na definição do futuro da competição, sobretudo nas indústrias que têm como bases de seus negócios o B2B.

Desenhar o futuro

Recentemente, participei da reunião de conselho de uma empresa relevante no setor em que atua, como articulador de um tema interessante, discutindo questões estratégicas envolvendo o futuro do seu mercado, onde estarão as oportunidades, que serviços e produtos serão mais demandados e que inovações deverão ser buscadas. Certamente, apesar da discussão enriquecedora com os conselheiros e principais executivos, na qual conseguimos avaliar o cenário e apontar campos onde a inovação fará a diferença, bem como as transformações necessárias para que esta organização possa “comprar o ticket para esta viagem para o futuro”, desenhar este projeto é algo que ainda deverá requerer muitas horas de discussão e análise, até a conclusão de um planejamento consistente.

Uma conclusão é que nada é mais importante no mundo corporativo atual, do que planejar o futuro entendendo as transformações pelas quais estamos passando e endereçar de forma estratégica a inovação, definindo que ações e projetos deveremos colocar em marcha, rapidamente, para fazermos a diferença no mercado futuro. E certamente neste caminho a ser pavimentado, a formação e preparação da liderança para estes novos tempos, a gestão adequada do Capital Humano, potencializando e explorando amplas formas de múltipla colaboração e integração através de hubs e ecossistemas, terão um papel decisivo e definitivo para o sucesso e sobrevivência das organizações.

Segue, a seguir, um quadro do relatório do BCG com a relação das 50 empresas mais inovadoras em 2019: