Grandes projetos de engenharia e construção são certamente um lugar fértil para desilusões e decepções e por isso você precisa saber como evitar um destino semelhante. Para evitar que seu projeto falhe, é muito benéfico compreender o que chamamos de “Os Sete Pecados Capitais dos Grandes Projetos de Engenharia” que são atitudes muito comuns que levam estes projetos a falharem. A seguir veja um resumo destas atitudes:

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Pecado Capital 1 – A Ganância
“Eu quero o projeto todo para mim! ”
Antigamente ganância era considerado algo ruim, porém hoje em dia é tolerável em nossa sociedade. Acontece que no mundo dos projetos, ganância ainda funciona da mesma maneira que antigamente e pode literalmente destruir seu projeto.

A ganância gera um natural desequilíbrio em como os custos e recompensas são alocadas no projeto e algo visto como injusto pelas partes interessadas está naturalmente fadado ao fracasso antes mesmo de começar.

Durante a fase de desenvolvimento, o investidor, ou o proprietário, precisa se preocupar em como está sendo alocado os riscos e as recompensas e assim alinhar todos os interesses para um objetivo comum. Ganância em demasia causa uma natural turbulência na força de trabalho que será a responsável pelo cumprimento dos objetivos acordados. Pergunte-se: Estou repartindo o valor gerado pelo projeto de forma justa entre as partes interessadas? O meu empreiteiro ou os meus prestadores de serviço conseguem fazer uma quantidade razoável de dinheiro? Os meus funcionários estão recebendo uma parte considerável do valor do projeto? Se você respondeu não a alguma dessas perguntas, você está atualmente flertando com um desastre.

Pecado Capital 2 – O Cronograma Irreal

“Esse projeto é para ontem! ”

A paciência é realmente uma virtude e isso também é verdade quando se trata de cronograma de obra. Pressão no cronograma condena mais projetos que qualquer outro fator sozinho.

Quando existe pressão para mover o projeto rápido, atalhos são criados e o terreno fica fértil para oportunistas. Nenhum projeto deve ser deliberadamente lento, porém assumir riscos com cronogramas em grandes projetos de engenharia é um jogo de tolos. Não esqueça que existe uma velocidade padrão no mercado no qual os projetos são desenvolvidos e executados com sucesso.

Se um grande projeto de construção não encaixar na programação normal e razoável, a conclusão é evidente: O projeto não é viável!

Pecado Capital 3 – O projeto conduzindo os detalhes do negócio

“Não se preocupe, pensamos nos detalhes do negócio depois! ”

Para ser bem-sucedido, o projeto e o negócio podem ser desenvolvidos em conjunto, mas de preferência as definições do negócio têm de vir em primeiro lugar. A razão é porque o negócio é responsável pela definição das condições de contorno e das funcionalidades do projeto o que servirá para definir seu escopo e clara definição de escopo é fundamental para o sucesso.

Lembre-se, o negócio conduz o projeto; o projeto não pode conduzir o negócio.

Pecado Capital 4 – Corte de custos e prazos de desenvolvimento

“Por que temos que gastar tanto no começo? ”

Pode ser muito tentador economizar nos custos de desenvolvimento de um grande projeto de engenharia, porém esse é um erro que custa extremamente caro.

Todo profissional, já com uma certa experiência, sabe que reduzir a fase de definição inicial de um projeto é estupido e a primeira coisa que se faz em grandes projetos de engenharia é exatamente cortar escopo das fases iniciais de definição destes projetos.

Fazer um planejamento e uma a definição apropriada de escopo na fase inicial do projeto toma de 2% a 5% dos custos totais do projeto, porém se não o fizer, o desastre pode alcançar facilmente 100% do custo e prazos iniciais.

Se investidores não têm estomago para perder os valores da fase de definição inicial do projeto, estes não devem ser investidores em projetos de capital intensivo.

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Pecado Capital 5 – A Força Tarefa de Redução de Custos

“Precisamos cortar 20% desses custos! ”

Um dos exercícios mais improdutivos em grandes projetos de engenharia é a “força tarefa de redução de custos”.

É muito comum ouvirmos: “Vocês (equipe do projeto) têm que apontar direito esses lápis e reduzir em alguns milhões de reais esse orçamento”. Sinceramente eu gostaria muito de ter um lápis desses.

Há de se entender que custo é inevitavelmente ligado a escopo e alterar o custo é necessariamente alterar o escopo do projeto e por consequência suas funcionalidades.

Equipes de projeto mediante a situações esdrúxulas como esta, vão meramente maquiar a produtividade, custos de material, preços de equipamento, custo de mão de obra etc. com o propósito de apresentar a situação desejada pela chefia.

Pecado Capital 6 – O Risco é do Empreiteiro

“O empreiteiro deve ficar com todo o risco; são eles que estão executando o projeto! ”

Um fato interessante é que grandes projetos de engenharia são geralmente contratados no modelo de preço fixo (“lump-sum”) e frequentemente estes projetos excedem seus custos.

Isso ocorre porque investidores tentam repassar todos os riscos para o empreiteiro e por melhor que seja o contrato, o risco do projeto na prática é SEMPRE do investidor.

Apesar de um contrato bem redigido com todas as garantias emitidas, na prática quase nenhum risco é repassado ao empreiteiro pois como prestador de serviço, este paralisa seus trabalhos quando os serviços não derem o retorno necessário obrigando o investidor a chegar a um acordo que viabilize novamente o contrato.

Empreiteiros são empresas de custo variável e não possuem por natureza ativos suficientes para suportar todos os riscos de grandes projetos de engenharia.

Pecado Capital 7 – A Culpa é do Gerente de Projetos

“Mande embora aqueles gerentes de projeto #[email protected]$^! que excederam o orçamento/prazo de nossos projetos”

Bater em gerentes de projeto que extrapolaram orçamento e prazos de projetos é certamente um esporte que data da época das Grandes Pirâmides.

Nunca conheci um gerente de projeto que comece o dia se perguntando: “O que posso fazer hoje para destruir meu projeto?”

Honestamente, conforme discutimos até esse ponto, os grandes excessos de custos e prazos raramente devem ser colocados na conta do gerente de projetos.

Você deve permanecer muito vigilante em relação a estes sete pecados capitais, especialmente se você estiver desenvolvendo ou gerindo um grande projeto de engenharia e construção.

A melhor maneira de melhorar as chances de sucesso de seu projeto é seguir o que chamamos de “As Sete Virtudes para um Projeto de Sucesso”, que são as seguintes:

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E por fim, um incentivo a mudança:

“Deve-se considerar não haver coisa mais difícil de executar, mais duvidosa de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas. Isso por que o reformador tem por inimigos todos aqueles que obtinham vantagem com a velha ordem e encontra fracos defensores naqueles que da nova ordem se beneficiam. ”

O Príncipe, Capítulo 6 – Niccoló Machiavelli (1469, 1527)

Leia também a primeira parte deste artigo: “Por que razão os grandes projetos de construção falham com tanta frequência?”