Business man drawing the dream travel around the world

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É muito comum me perguntarem sobre como construir uma carreira internacional na área de engenharia e sempre tenho dificuldades de responder. Acredito que a reposta não seja tão simples quanto gostaríamos que fosse.

Refletindo a respeito do caminho que me fez partir para uma carreira internacional, acredito que não existe um modelo que, se seguido fielmente, vai te levar a conquistar o mundo. Porém, é possível sim enumerar algumas poucas atitudes que você pode tomar para potencializar as oportunidades internacionais. O melhor de tudo é que elas são comuns a quase todas as profissões.

Formação: O primeiro choque que temos quando trabalhamos no exterior é quando comparamos a formação profissional no Brasil e a formação de outros profissionais globalmente. Neste momento entendemos que nossa melhor formação superior é, na melhor das hipóteses, apenas mediana em uma escala global. Não falo aqui daquelas escolas onde o ensino é colocado em segundo plano, falo aqui das deficiências de ensino nas melhores universidades do Brasil.

Existem dois rankings que são bastante utilizados pelo mercado internacional para entender o quão sólido é a sua formação ao sair da universidade. Estes são o QS com o QS World University Ranking e o Times Higher Education com o THE World University Ranking.

Hoje no QS, entre as 20 melhores universidades do mundo, 11 são americanas, 4 são britânicas, 2 são suíças, 2 são de Singapura e 1 é da Austrália. No TOP20 do Times estão 15 americanas, 4 britânicas e 1 suíça.

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No QS, a melhor universidade brasileira é a USP, que aparece entre 251º e 300º posição. No Times Higher Education a melhor brasileira também é a USP, que aparece na 121º posição. Todas as outras universidades brasileiras estão abaixo (e as vezem bem abaixo) destas posições.

A conclusão é óbvia e um pouco dura para todos que padeceram para se formar nas melhores escolas do país. A graduação em uma boa universidade brasileira é adequada para aqueles que aspiram se diferenciar no mercado interno. Se seu interesse desde o momento em que estiver saindo da faculdade for uma sólida carreira internacional, procure não se formar em uma universidade brasileira, dado que você enfrentará uma competição com todas as universidades do planeta.

Posso contar diversas histórias para ilustrar as deficiências da nossa formação superior. Escolho uma conversa rápida que tive com um engenheiro português e outro holandês me perguntando como era a universidade no Brasil. Eles me perguntaram especificamente quantas disciplinas tínhamos que cursar em inglês durante nossa formação em engenharia, e eu disse que nenhuma disciplina era ministrada em inglês. Ambos ficaram perplexos em saber que saímos da universidade no Brasil sem, obrigatoriamente, ser fluentes em inglês. Isso não acontece em Portugal e na Holanda, por exemplo.

 

Idiomas: Bom, se você está se perguntando como pode ter uma carreira internacional, assumo que infelizmente não teve a oportunidade de escolher uma universidade fora do Brasil para se graduar, talvez por falta de orientação, talvez por falta de condições financeiras ou até mesmo por falta de vontade de enfiar a cara nos estudos.

Saiba que nem tudo está perdido. Apesar de muito mais complicado, a vida pode te trazer algumas outras oportunidades de ir trabalhar fora do país e para agarrá-las é imprescindível fluência em mais de uma língua.

Apesar das línguas nativas mais faladas no mundo serem o chinês com 1,2 bilhões de pessoas e o espanhol com 400 milhões de pessoas, o mercado pouco se importa com esse dado, fazendo do inglês a língua dos negócios em todo o mundo. Consequentemente o inglês é a língua mais falada quando não consideramos somente os falantes nativos.1

E tem mais, se você acha que fluência em inglês além da sua língua nativa, é tudo que você precisa na sua vida profissional fora do Brasil está enganado. O inglês poderá ser o idioma falado dentro de sua empresa, caso esta seja também focada no mercado internacional. Porém a língua do lugar onde decidiu morar deve ser também aprendida por uma simples questão de integração social.

Uma pergunta que frequentemente ouço é: qual o nível de inglês necessário? A resposta é a mais óbvia possível, no mínimo fluência. Melhor ainda se o inglês for uma língua nativa, mais creio que demos o azar de nascer em uma ex-colônia portuguesa, então só nos resta estudar para sermos fluentes no inglês.

 

OK “Dr. Sabichão”. Tenho fluência em inglês, tenho uma boa experiência na minha área, como diabos eu faço para trabalhar fora do país?

Isso eu vou responder na parte 2 deste artigo.

Abraços,

Luiz Junqueira

 

Veja também:

Como Construir uma Carreira Internacional em Engenharia (Parte 2)

Como Construir uma Carreira Internacional em Engenharia (Parte 3)

 

Luiz Junqueira mora e trabalha em Zurique na Suíça. É diretor de projetos para África Subsaariana nas áreas de infraestrutura, energia, mineração, óleo e gás. Formado em Engenharia Civil pela UNESP (2002), pós-graduado em Engenharia de Produção pela USP (2006) e em Gestão de Projetos pelo ITA (2007). Possui também MBA pela SBS Swiss Business School (2016).