Há um novo tipo de desenho solicitado por órgãos reguladores, para aprovação de projetos residenciais multifamiliares e consequentemente a liberação de recursos financeiros, chamado de “Planta da Rota Acessível”, justamente para demonstrar qual é o caminho utilizado pelas pessoas para caminhar no interior dos empreendimentos residenciais.

Rota Acessível: gostaria de fazer algumas perguntas para você:

  1. Quantos itens de acessibilidade você deverá considerar em seu projeto?
  2. Você está seguro(a) em emitir a ART ou RRT do seu projeto e declarar que ele está acessível?
  3. Quanto deveria cobrar a mais em sua proposta comercial para incluir a acessibilidade em seu projeto? Considerando que precisará de mais tempo para realizar alguns detalhes de acessibilidade?

Essas foram dúvidas que me acompanharam por muito tempo em minha carreira profissional e eu vou ajudar você a respondê-las neste capítulo.

Uma vez que você já entende a importância e a necessidade de seus projetos e obras serem acessíveis, o próximo passo é saber quais são os itens de acessibilidade que você deverá considerar para a edificação ser acessível.

E a resposta para essas dúvidas está na Rota acessível da edificação e eu criei uma fórmula chamada fórmula da Rota Acessível para dar maior confiança em implantar a acessibilidade.

A Fórmula da Rota Acessível consiste em quatro passos:

O primeiro passo é identificar no projeto ou na obra quais são e onde estão os ambientes de uso comum ou abertos ao público e identificar quais serão os ambientes a serem classificados como de uso restrito, uma vez que os ambientes de uso restrito não serão acessíveis.

O segundo passo é atender o que diz o artigo número 18 do Decreto Federal 5296:2004, criando um caminho sinalizado e livre de obstáculos para interligar todos os ambientes de uso comum ou abertos ao público.

Podemos escolher no mínimo um caminho, de preferência que seja o menor possível, para atender ao princípio 6 do Desenho Universal, chamado de “Baixo Esforço Físico”, começando desde a calçada externa da edificação, até todos os ambientes de uso comum ou abertos ao público no interior da edificação.

Esse caminho também deverá levar até a vaga acessível no estacionamento.

Se por acaso algum ambiente tiver mais do que uma porta de entrada, basta escolher uma delas.

O passo três é, a partir do caminho traçado no projeto, que vamos chamar de Rota Acessível, identificar e listar todas as barreiras físicas e todos os 8 itens de acessibilidade apresentados na aula 1.

E por fim, no passo quatro será a hora de desenvolver os desenhos e detalhes técnicos de adaptação de cada item identificado na Rota Acessível.

E o mais importante de seguirmos essa fórmula é que ela nos dará o escopo do trabalho em acessibilidade.

Obviamente, se você estiver fazendo um projeto de um pequeno salão comercial, ou de uma pequena clínica médica, será muito fácil identificar a rota acessível e os itens a serem adaptados.

Mas como eu tenho certeza de que esse curso e esse conhecimento vão te ajudar a captar projetos cada vez maiores, vamos imaginar que você está elaborando um projeto de um empreendimento residencial com mais de 300 apartamentos, 12 prédios, além de áreas de lazer, portaria e estacionamentos.

Como aplicar a acessibilidade neste caso?

Não se preocupe! É só seguir a fórmula da Rota Acessível e vamos fazer isso juntos.

Inclusive atualmente há um novo tipo de desenho solicitado por órgãos reguladores, para aprovação de projetos residenciais multifamiliares e consequentemente a liberação de recursos financeiros, chamado de “Planta da Rota Acessível”, justamente para demonstrar qual é o caminho utilizado pelas pessoas para caminhar no interior dos empreendimentos residenciais.

Atualmente o projeto da Rota Acessível já faz parte inclusive de muitas solicitações de alguns órgãos públicos.

Importante lembrar que ambiente funcionário pode ser considerado como um ambiente de uso restrito e sim um ambiente de uso comum e deve obrigatoriamente ser acessível.

O item 3.1.36 da NBR 9050:2020 diz que ambientes de uso comum são espaços, salas ou elementos, externos ou internos, disponíveis para o uso de um grupo específico de pessoas (por exemplo, salas em edifícios de escritórios, ocupadas geralmente por funcionários, colaboradores e eventuais visitantes).

Significa afirmar que os ambientes de funcionário são considerados como de uso comum e farão parte da Rota Acessível.

Desde a calçada da edificação a Rota Acessível irá percorrer todos os acessos ao interior da edificação, passando pelas vagas de estacionamento, corredores externos, corredores internos e conduzindo ao interior de todos os ambientes, como por exemplo:

  • Portões de acesso
  • Portarias
  • Copa dos funcionários
  • Áreas de lazer com Piscina, Churrasqueira, Salão de ginástica, Quadra poliesportiva, Sauna, e todos os demais ambientes de lazer e ambientes de uso comum da edificação.

A Rota Acessível levará ao interior de todas as torres residenciais.

Pronto. Agora que identificamos quais são os ambientes de uso comum neste empreendimento, o próximo passo será traçar a rota para interligar todos esses ambientes através de no mínimo um caminho.

Agora sim teremos condições de identificar os itens de acessibilidade neste projeto residencial multifamiliar, pois os itens de acessibilidade que irá considerar no projeto serão aqueles que aparecerem na Rota Acessível e o mais incrível de tudo isso é que agora teremos definido o Escopo e o Prazo para apresentar ao nosso cliente do que ele deverá fazer para deixar a edificação acessível.

A Fórmula da Rota Acessível nos dá clareza e confiança para afirmar que o projeto está acessível.

E o último passo será fazer os detalhes de adaptação de cada um dos itens apresentados.

Nos primeiros projetos que você fizer, vai parecer difícil e demorado, mas não se preocupe, pois a cada projeto verá que a Fórmula da Rota Acessível ficará cada vez mais fácil e prática de ser implantada.

Parabéns por chegar comigo até aqui. É bom saber que estamos juntos na Causa da Acessibilidade.