Alvenaria estrutural, além de ter as mesmas finalidades da alvenaria não estrutural, serve também como suporte estrutural.

Alvenaria é o sistema de construção mais difundido no Brasil e no mundo, com a finalidade de separar ambientes internos e externos. A vasta utilização dessa solução construtiva é atribuída principalmente ao baixo custo e à facilidade de execução, quando comparada com outros sistemas. A patologia das alvenarias é o estudo que, por meio da análise das anomalias, consegue buscar suas causas e origens e determinar o tratamento adequado. O termo patologia foi incorporado da medicina pela engenharia, ganhou grande importância e assim nasceu o Engenheiro Patologista.

A alvenaria pode ser estrutural ou de vedação. Alvenaria não estrutural tem as seguintes finalidades: compartimentar ambientes, podendo ser internas ou externas (estas últimas delimitam a edificação); resistir ao seu peso próprio e a pequenas cargas de ocupação como prateleiras, lavatórios, entre outros; resistir às cargas de ventos e às solicitações de tentativa de intrusão, sem que a segurança dos ocupantes da edificação seja prejudicada; resistir a certo nível de impacto sem entrar em ruína; resistir à ação do fogo, não contribuindo para o início de um incêndio nem para a propagação de chamas e calor, e não produzindo gases tóxicos quando em combustão.

Alvenaria estrutural, além de ter as mesmas finalidades da alvenaria não estrutural, serve também como suporte estrutural. Conforme cálculo das cargas a serem suportadas, estas podem ser providas de pontos de graute e armaduras para aumentar sua capacidade de suporte. A primeira edificação em alvenaria estrutural no mundo é o Monadnock Building, inaugurado em 1891. Suas alvenarias do térreo chegam a ter quase 1,0 m de espessura para suportar seus 16 pavimentos. Com o atual conhecimento é possível se atingir alturas maiores com alvenarias de 19 cm de espessura.

Monadnock Building, primeiro edifício em alvenaria estrutural no mundo. Fonte: Monadnockbuilding.

Porque ocorrem as manifestações patológicas?

Manifestações patológicas, ou anomalias, podem ocorrer em consequência de um projeto não adequadamente detalhado ou falhas na execução.

As trincas são consideradas de grande importância dentre as anomalias, pois podem significar o aviso de um possível colapso da estrutura, o comprometimento do desempenho da execução, além do abalo psicológico que exercem sobre as pessoas. Devem-se prevenir as manifestações patológicas e, quando ocorrerem, tratá-las de modo eficiente com técnicas adequadas, caso contrário a solução será apenas paliativa e o problema recorrente.

Trincas em alvenaria.

Por serem constituídas de materiais pétreos, as alvenarias respondem bem às solicitações de compressão, porém o mesmo não ocorre em relação às solicitações de tração, flexão e cisalhamento. Dessa forma, as tensões de cisalhamento e tração são as responsáveis pela maioria das ocorrências de fissuras em alvenarias, sejam elas estruturais ou não.

A diferença de comportamento dos materiais que compõem as alvenarias também influi na fissuração das mesmas. Argamassas e blocos têm propriedades diferenciadas, como módulo de elasticidade, coeficiente de Poisson, entre outros. A configuração das fissuras pode evidenciar os diferentes comportamentos dos componentes das alvenarias e os agentes das avarias.

Então, como ter uma edificação saudável?

Para que se evite problemas futuros é importante que os cuidados comecem na fase de projetos, permaneçam na fase de execução, tanto na mão de obra, quanto na escolha de materiais e que continuem na fase de manutenção. Existe uma falsa crença na população em geral que as edificações são eternas. Na verdade, a vida útil de uma edificação pode ser estendida, mas para isso, é essencial que sejam feitas as manutenções, preventivas e corretivas. Para que sejam identificadas as necessidades dessas manutenções, a inspeção predial periódica é imprescindível e deve ser feita por profissional capacitado.

Inspeção predial. Fonte: Instituto de Engenharia.

A partir do laudo da inspeção predial é que se pode identificar as necessidades de manutenção. A manutenção preventiva é sempre melhor que a corretiva. Na preventiva, ainda é possível executar pequenos reparos que podem restaurar, antes de a anomalia ocorrer. Após a ocorrência da anomalia é necessária a manutenção corretiva, mais complexa de ser realizada e mais onerosa.

Este será um dos temas recorrentes nos artigos dessa coluna, futuramente entrarei mais afundo em algumas anomalias comuns em alvenarias e revestimentos.

Artigo anteriorCurso: Contribuição do BIM Produtividade e Custos
Próximo artigoMinha Casa Minha Vida ajudou para que tombo do setor de construção fosse menor
Cristiana Furlan Caporrino é Engenheira Civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Mestre em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente doutoranda na mesma área e instituição. Sócia-diretora da Furlan Engenharia e Arquitetura, empresa especializada em projetos e obras. Professora de pós-graduação no Instituto Mauá de Tecnologia, nas disciplinas Gerência de Projetos de Engenharia e Logística de Canteiros de Obras, e, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), das disciplinas de graduação Concreto Armado II, Concreto Protendido e Alvenaria Estrutural e da disciplina de pós-graduação Patologias em Alvenarias e Revestimentos Argamassados. Na pós-graduação da Funorte, ministra as disciplinas Estruturas Metálicas I e II e Análise de Estruturas de Concreto por meio de Software. Autora do Livro Patologia em Alvenarias, 2ª Edição, Editora Oficina de Textos. Administra um blog acadêmico no qual divulga novas tecnologias, além de discutir temas teóricos de várias áreas da engenharia. Ministra palestras e cursos, perita judicial e possui vasta experiência em projetos estruturais, tendo participado de projetos de barragens, indústrias, refinarias de petróleo, hospitais e empreendimentos corporativos, além de projetos em mineração, aviação civil, comércio e infraestrutura.