Existe uma máxima que diz que qualquer coisa, em excesso, faz mal. Ela pode ser usada em relação à exposição ao barulho, mas o ditado não se aplica onde temos problemas de infiltração de água, onde a máxima é não ter nenhuma.

Como conciliar as duas necessidades? Será que o projetista de acústica tem conhecimentos de impermeabilização? E o projetista de impermeabilização tem de acústica?

Este é o desafio do nosso cotidiano, diferentes necessidades, tratadas por diferentes especialistas. Aí vai a primeira pergunta. Ponho a isolação acústica antes ou depois da impermeabilização?

Temos as exigências da norma NBR 15575, onde as necessidades de estanqueidade e de conforto acústico estão bem explícitas.

Alguém tem que harmonizar os projetos, portanto seguem algumas dicas de como proceder nesta situação, que cada vez mais precisamos implementar.

Este é o corte padrão para os sistemas de pisos, que se aplica nas lajes de cobertura, pavimentos tipo, pavimento de uso comum, etc…

Figura 1: Exemplo genérico de um sistema de pisos e seus elementos.

Figura 1: Exemplo genérico de um sistema de pisos e seus elementos.

Portanto, a primeira pergunta já tem uma resposta. Preciso primeiro garantir a estanqueidade e depois os confortos acústico e térmico.

Na norma NBR 9575, temos o requisito de conduzir a água para os ralos, que pode ser uma camada de regularização ou a própria camada estrutural, desde que tenhamos caimento de 1%, com as exceções de box de banheiro ou calhas, que se admite 0,5%, tudo isto antes da camada de impermeabilização.

Lembrando que temos inúmeros tipos de impermeabilização, aderidas ou não ao substrato, pré-fabricadas ou moldadas “in loco”, rígidas ou flexíveis, de base cimentícia, asfáltica ou polimérica. Ufa!

Só com projeto de impermeabilização, para escolher a mais adequada à sua necessidade, bem como do projeto de acústica para atender a atenuação desejada.

Para facilitar o entendimento desta interface Impermeabilização x Isolação Acústica, nada melhor que ilustrações constantes do manual PróAcustica de recomendações básicas para contrapisos flutuantes.

Contrapiso flutuante em áreas molhadas

1. Revestimento 2. Selante elástico 3. Ralo 4. Contrapiso 5. Material resiliente 6. Impermeabilização 7. Laje

Lembro que na área de acústica temos ensaios tecnológicos que proporcionam uma análise do fator de atenuação acústica da camada de isolação acústica.

Trata-se do ensaio em laboratório onde se determina o índice de redução sonora, pela norma ISO 10140-3, com o índice, ∆Lw, redução ponderada do nível de pressão sonora de impactos, que informa o quanto, potencialmente, a camada de isolação acústica pode atenuar o ruído de impacto, entre lajes.

A comprovação de desempenho em sua edificação, é através da avaliação do nível de pressão sonora de impacto padronizado ponderado para ensaio de campo, segundo a ISO 16283-2:2018 e a norma ISO 717-2:2013.

A Tabela 4, abaixo transcrita, descreve os limites mínimos de isolamento acústico ao ruído de impactos, estabelecidos pelo item 12:3, da norma NBR 15575.

Uma oferta legítima de soluções de impermeabilização e de atenuação acústica, são pertinentes para todas as necessidades. Afinal não é o tamanho da área tratada e sim a importância da garantia de estanqueidade e do conforto acústico, desde um pequeno local em uma residência modesta até a mais sofisticada cobertura. Todos querem a mesma coisa. Sossego e certeza de que não será incomodado com as consequências, sempre danosas, da presença ou passagem de água e de ruídos, em sua edificação.

Reforço que é importante a elaboração de projeto técnico, por um profissional habilitado e qualificado nas áreas de impermeabilização e de acústica, para que você possa tomar a decisão do que instalar em sua edificação.

Conto com seus comentários, sobre a interface impermeabilização e isolação acústica.

Você já usou? Como foi sua experiência?

Normas citadas

ABNT NBR 9575:2010 (Confirmada em 02.12.2019) – Impermeabilização – Seleção e projeto

ABNT NBR 15575:2013 – Edificações habitacionais – Desempenho Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos

ISO 10140-3- Acoustics — Laboratory measurement of sound insulation of building elements — Part 3: Measurement of impact sound insulation

ISO 16283-2:2018- Acoustics — Field measurement of sound insulation in buildings and of building elements — Part 2: Impact sound insulation, norma que está em processo de adoção pela ABNT

ISO 717-2:2013 – Acoustics — Rating of sound insulation in buildings and of building elements — Part 2: Impact sound insulation.

Artigo anteriorCidades precisam mudar estratégia para lidar com águas
Próximo artigoDecoração de imóveis para temporada
Professor na pós-graduação lato-sensu, nos cursos de patologia nas obras civis e de patologia na Impermeabilização, desde 2006, em diversas cidades do Brasil. Autor do livro "Látex Estireno Butadieno - Aplicação em Concretos de Cimento e Polímeros" Atuante desde 1978, com o conhecimento construído em atividades técnicas na criação, desenvolvimento e normalização de produtos ao mercado e de gestão em consultoria na área de tecnologia de impermeabilização de edificações residenciais, comerciais, industriais e de saneamento, proteção às estruturas de concreto e atenuação ao ruído de impacto entre lajes, elaborando projetos, procedimentos executivos, treinamentos “in company”, fiscalização de obras, objetivando dirimir dúvidas e possibilitando a implantação dos conteúdos dos projetos e normalizações, sempre com o alto padrão de excelência. Palestrante com mais de 60 trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais com inúmeros artigos técnicos e matérias publicadas sobre proteção às estruturas, impermeabilização e isolação acústica, bem como atuante em comissões de estudo da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, CB 2 - Construção Civil; CB 22 – Impermeabilização e CB 90 – Qualificação de pessoas. Diretor Técnico da A2S Engenharia e perícia.