Por Guilherme Mazieiro, UOL

Responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida, o ministro Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), passou a ser alvo de críticas de parlamentares e já há cobranças para sua saída do ministério.

Lideranças de diferentes partidos na Câmara pressionam pela liberação de repasses atrasados da construção civil em um prazo de um mês –sob pena de aumentar as cobranças sobre Canuto.

“Ninguém está pedindo a cabeça do ministro. A gente não quer cargo no ministério, indicação de ninguém. Nada disso. O que a gente quer é garantir recursos e os empregos nos nossos estados”, disse o líder do PP, Arthur Lira (AL).

Segundo a Cbic (Câmara Brasileira da Indústria e Habitação), há atraso no repasse de cerca de R$ 500 milhões às construtoras que participam do programa — o que poderia afetar cerca de 200 mil trabalhadores em todo país. A organização contabiliza ao menos 60 dias de atraso na liberação do dinheiro.

Há três semanas, o ministro Canuto e cerca de 15 líderes de diferentes partidos se reuniram com Rodrigo Maia (DEM-RJ), na casa do presidente da Câmara. O principal assunto já era a cobrança de repasse e agilidade na construção das obras –os parlamentares estão de olho nas entregas de obras para ano que vem, quando há eleições municipais.

“Oferecemos ajuda para negociar e brigar com a [pasta] da Economia para conseguir os recursos prometidos. Se o ministro não quiser brigar pelos recursos da pasta que ele comanda, a gente vai brigar sozinho”, disse Lira.

“A avaliação de líderes ouvidos pelo UOL é a de que haverá novos impasses com o governo e pressão para saída de Canuto caso os valores não sejam liberados.

“A impressão que dá é de ou não sabe administrar o ministério ou só tem apego ao cargo e ao salário”, disse uma liderança, que pediu para não se identificar.

A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), disse que o governo estuda liberar recursos.

“O ministério da Economia tem que liberar dinheiro. Estamos nos reunindo com técnicos dos ministérios para estudar essas possibilidades o mais rápido possível “, afirmou Joice.

A assessoria do ministério disse ser “equivocado afirmar que o Ministério do Desenvolvimento Regional não tem priorizado a aplicação dos recursos da União no programa Minha Casa Minha Vida.

“O governo federal liberou ao ministério, até agosto, R$ 4.566 milhões, dos quais R$ 2.732 milhões foram destinados ao Minha Casa Minha Vida até o último dia 19. O valor pago representa 59,8% do total disponibilizado à pasta”, disse a assessoria, em nota.

Segundo o ministério, nos 200 primeiros dias do governo Bolsonaro, a pasta entregou uma média diária de 1.170 casas por meio do programa. “Ao todo, foram mais de 234 mil residências concedidas em todos os estados e no Distrito Federal”, afirma, em nota.