Os coordenadores estão indo bem porque estou fazendo o acompanhando mais de perto, mas os trabalhos não estão sendo repassados de forma muito eficiente para os estagiários.

Henrique Cambiaghi, CEO da CFA Cambiaghi Arquitetura, analisa como a crise gerada pelo novo coronavírus está impactando o setor imobiliário e as principais tendências para o setor após a pandemia. Confira a entrevista!

Qual é sua área de atuação na construção civil?

Trabalho na Cambiaghi Arquitetura e sou titular da empresa há mais de 40 anos. A empresa é focada em projetos de arquitetura na área imobiliária.

Como foram as primeiras reações da sua empresa diante do surto de Covid-19?

Acompanhávamos o processo do coronavírus desde a China. Depois observamos ele indo para a Europa e depois do carnaval começamos a tomar mais cuidado também no Brasil. Alguns estagiários começaram a ficar sem aula e outros que moravam mais longe começaram a ficar preocupados com o trajeto, então mudamos os horários para que eles evitassem os momentos de pico e de congestionamento, até que a única solução se tornou possível foi o home office. Essa solução final veio alguns dias depois pelo tempo de preparação que precisávamos ter para viabilizarmos os funcionários de trabalharem em casa.

Quais foram as primeiras medidas de contenção?

Os mais experientes já trabalhavam em casa de alguma forma (coordenadores), então já nos entendíamos trocando e-mails, mensagens de whatsapp, compartilhando fotos e nos comunicando normalmente. A dificuldade maior está com os projetistas, pela questão dos prazos e pela falta de costume. Mas, como essa é uma nova experiência para todos, estamos tentando nos acostumar. Os estagiários ainda precisam de bastante acompanhamento, por não terem experiência e precisarem de auxílio.

Estão conseguindo manter as atividades essenciais?

Essa é a primeira semana que efetivamente estamos trabalhando em home office, então ainda não conseguimos ter esse balanço. Os coordenadores estão indo bem porque estou fazendo o acompanhando mais de perto, mas os trabalhos não estão sendo repassados de forma muito eficiente para os estagiários. Os projetos que estavam em andamento começaram a ser adiados e registramos alguns atrasos de pagamento, que são novos problemas que teremos em breve.

Como a crise provocada pela pandemia pode afetar sua empresa no futuro?

Eu acho que teremos duas mudanças. Primeiro, as pessoas irão rever seus objetivos de vida, pois muitas pessoas agora tiveram perdas financeiras, além de aprenderem a ficar mais isoladas entre si. Outra coisa acredito é que teremos uma grande corrida pelo desempenho quando as coisas se normalizarem. Sobre reuniões à distância, já estávamos tentando implementar, mas agora, como são obrigatórias, os clientes estão percebendo que dão certo, especialmente pelas ferramentas que temos hoje. Ainda assim, está muito cedo para avaliarmos as informações e impactos que teremos.

O quanto sua vida foi afetada nesse período de quarentena?

Perdemos um pouco a noção dos dias, parece que agora todos os dias são iguais, as ruas sem movimento o tempo todo. Para preencher o tempo estou até trabalhando aos finais de semana e intercalando com algumas atividades de lazer. Estou preocupado em como balancear as contas do escritório, porque acredito que as coisas ainda demorarão para se normalizar, ninguém vai lançar imóveis agora ou fazer compras desse tipo. Enfim, sinto que mudarei minha vida em relação a objetivos, vou querer desacelerar um pouco quando as coisas se normalizarem, já que estou com quase 70 anos.


O LIGA Blog está publicando entrevistas com diretores de grandes empresas brasileiras da construção para entender como estão as empresas do setor estão lidando com os desafios proporcionado pela pandemia do coronavírus.