Encontrar formas de organização empresarial que superem a barreira da distância é essencial para a sobrevivência dos negócios no momento atual.

O isolamento na construção civil está impactando as empresas do setor: colaboradores de pequenas e grandes organizações, além de microempreendedores estão em casa. Tamanha comoção mostra a relevância das medidas recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para enfrentarmos a pandemia do novo coronavírus.

E se as lideranças e colaboradores estão em período de quarentena cabe questionar: como estão as empresas nacionais da construção em tempos de covid-19? Como elas estão se organizando para garantir seus serviços essenciais sem expor os funcionários aos novos riscos?

Pensando no assunto, o LIGA Blog entrevistou diretores de grandes empresas brasileiras da construção com objetivo de entender como o trabalho no setor vem sendo realizado durante a quarentena e quais são os impactos do coronavírus para o futuro da construção no Brasil. Confira!

Impactos iniciais: a crise era esperada?

Na grande maioria das empresas o potencial do Covid-19 foi subestimado. Afinal, não se esperava que o novo coronavírus chegasse ao Brasil com tamanha força, ainda que a maioria dos entrevistados tenha acompanhado atentamente a evolução da doença na China e, posteriormente, na Itália.

De acordo com Francisco Graziano, Sócio Diretor da Pasqua & Graziano, empresa de projetos estruturais, havia sido feita uma planilha para acompanhar de perto os casos de Covid-19, entre 25 de fevereiro a 6 de março, na cidade de São Paulo. A intenção foi saber exatamente quando se preparar para tomar soluções mais radicais, como um isolamento coletivo.

Preparação para o home office

Quando a doença chegou em São Paulo, local da sede da maioria das empresas entrevistadas, rapidamente os diretores precisaram organizar as equipes para atender às recomendações governamentais, implementadas a partir do final de março.

Sérgio Mester, Diretor Técnico da incorporadora Idea Zarvos Planejamento Imobiliário Ltda., explicou que a preparação precisou começar uma semana antes da liberação dos colaboradores para home office, já que seria necessário fornecer um VPN (Rede privada virtual – do inglês Virtual Private Network) aos funcionários para permitir o acesso à documentos e contas fora da rede da empresa, além de computadores àqueles que não tinham esse tipo de equipamento em casa. Segundo Mester, depois deste processo, 90% de sua empresa trabalha remotamente.

Adaptação ao trabalho à distância

Ainda assim, apesar da preparação e da necessidade do trabalho à distância, essa transformação não é simples, haja visto que a adaptação dos colaboradores à nova rotina não ocorre de modo instantâneo, sendo necessária uma intensa organização interna e de comunicação para que as tarefas sejam cumpridas e repassadas aos colaboradores da empresa.

Segundo Henrique Cambiaghi, titular da empresa Cambiaghi Arquitetura, o período não está sendo fácil para esse tipo de planejamento, embora a comunicação com os coordenadores de equipe, por já terem experiência e alguns anos de trabalho na empresa, estar sendo mais efetiva. Por outro lado, destaca Cambiaghi, a comunicação com estagiários ou funcionários mais novos está mais complicada, devida a necessidade de maior atenção e acompanhamento.

Tecnologia como aliada: comunicação apesar da distância

Encontrar formas de organização empresarial que superem a barreira da distância é essencial para a sobrevivência dos negócios no momento atual. Ferramentas disponíveis, como plataformas e aplicativos de videochamadas estão mais populares que nunca – muitos dos entrevistados relataram usarem Zoom, Google Meets e Skype em calls profissionais.

Ainda de acordo com Sérgio Mester, a comunicação e o acompanhamento dos projetos de sua empresa estão sendo feitos majoritariamente pelo Microsoft Teams – ferramenta integrada com outros modais (editores de texto, slides, planilhas, etc.) – que permitem uma comunicação eficaz.

Dentro desse cenário de crise, o sucesso das empresas está atrelado a uma organização impecável e ao uso das tecnologias disponíveis, sendo, portanto, fundamental invocar toda a experiência acumulada pelas lideranças das empresas do setor para que, com criatividade, o momento de turbulência seja superado pela construção civil.